Conheça a mente por trás de imagens que mobilizam protestos no Rio

Antônio Carlos Costa é criador e presidente da ONG Rio da Paz e afirma que seu trabalho 'desperta consciências'

Por O Dia

Rio - Em 28 de dezembro de 2006, uma série de ataques orquestrados por traficantes aterrorizou a madrugada de moradores de cinco cidades da Região Metropolitana, incluindo Niterói. Prédios públicos foram metralhados, 30 pessoas feridas e 18 mortas. “Fiquei tão chocado que resolvi ir para a rua. Ali, eu despertei do meu sono”, conta Antônio Carlos da Costa, de 52 anos, presidente da ONG Rio de Paz, criada logo após os ataques.

Antônio Carlos Costa%2C PastorReprodução


Oito anos depois, esse niteroiense de coração — chegou à cidade aos 6 anos com o pai policial federal, transferido para Niterói — se tornou referência quando o assunto é manifestação, ato organizado por ele muito antes do movimento tomar as ruas no ano passado. No entanto, seus protestos são silenciosos, mas chamam atenção: são feitos de imagens que falam por si.

A mais emblemática foi em 2011, quando centenas de cruzes foram fincadas na areia de Copacabana, representando o número de mortes violentas no país. “Trabalhar com imagem foi a maneira que encontrei de despertar a consciência da sociedade, confrontar o poder público e chamar a atenção”, explica ele.

A última manifestação que promoveu ocorreu na semana passada, em Brasília, contra os gastos com a Copa. Combate à corrupção passou a ser uma de suas bandeiras. “Onde houver gente sendo desrespeitada em seus direitos, ali estaremos”, avisa ele, que hoje comanda um centro de inclusão social no Jacarezinho.

“Cuidamos, principalmente, daqueles que querem largar o tráfico. Já formamos mais de 200 pessoas”.

Bacharel em Teologia, atuou anos como pastor, mas agora prega apenas aos domingos. Mestre em História, também tenta terminar um doutorado na França. Mas seu próximo ato será convencer os jogadores na estreia da Copa, quinta-feira, a fazer um minuto de silêncio pelos operários mortos nas obras dos estádios.

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