Obras da Avenida do Contorno podem atrasar em até quatro meses

Apesar de problemas com empresa da vizinhança, a concessionária prevê fim da obra em junho de 2015

Por O Dia

Niterói - Prevista para ser entregue em fevereiro de 2015, a duplicação da Avenida do Contorno pode atrasar, no mínimo, quatro meses. Uma briga entre a Autopista Fluminense, que administra a rodovia, e a Chamon de Niterói Transporte Marítimo está impedindo o avanço do trabalhos no trecho que passaria pelo terreno da empresa, no Barreto.

O problema está sendo discutido na Justiça Federal há, pelo menos, seis meses. Apesar disso, a obra, que começou em fevereiro de 2013, não foi interrompida. Orçado em R$ 65 milhões, o projeto é 70% financiado pelo BNDES. “Já estaríamos trabalhando nesse trecho desde o início do ano se não fosse esse imbróglio na Justiça”, explica o diretor superintendente da Autopista Fluminense, Odílio Ferreira.

Acessos na rodovia seguem normas da ANTT%2C alega a concessionáriaAlexandre Vieira / Agência O Dia

Segundo ele, o problema impede continuar uma parte expressiva da duplicação. “Dependendo da condição de liberação da área, podemos ter atraso de quatro meses. Todas as ações administrativas já tinham sido feitas há tempo. A gente pensou que a liberação fosse ser rápida”.

O dono da Chamon, que faz transportes marítimos de cargas e de passageiros, Ricardo Maia, se defende. “Estamos na região desde 1994, muito antes de a concessionária administrar a rodovia. Em 2000, conseguimos o ‘nada a opor’ da Marinha para operarmos no local. Tentamos um acordo amigável com a concessionária, mas não conseguimos resolver e tivemos que entrar na Justiça”, contou o empresário.

Com 2,2 quilômetros de extensão, a Avenida do Contorno é uma das vias mais importantes da região. Segundo a concessionária, a rodovia é um dos cinco maiores gargalos de trânsito do estado. Por ela passam, por dia, em média, aproximadamente 90 mil veículos vindos de Niterói, Rio de Janeiro, São Gonçalo e Itaboraí, além de carros de outras cidades da região metropolitana que trafegam por lá com destino à estrada Niterói-Manilha.

Devido à grande movimentação, os engarrafamentos na região são diários e extensos no início da manhã e à tarde. Daí a necessidade da duplicação das pistas. A Autopista espera que, com as obras concluídas, os congestionamentos, tanto no sentido Niterói quanto São Gonçalo e Itaboraí, tenham uma redução significativa.

Odílio Ferreira explica que o estrangulamento do trânsito na Contorno causa impacto na Avenida Feliciano Sodré, no Centro de Niterói, e no vão central da Ponte. Com a duplicação, a expectativa de redução do engarrafamento na pista entre São Gonçalo e Itaboraí é de 50%, e de 80% na parte de Niterói.

Segundo a concessionária, as obras não provocaram impacto no trânsito da Avenida do Contorno. Isso só deve acontecer no fim do ano, com a ampliação da pista no sentido São Gonçalo, num trecho onde há a transposição das pistas. “Vamos ter um esquema de desvio operacional, que já está pronto e será divulgado mais adiante. Mas o tráfego vai fluir. Pior do que está não vai ficar”, diz o superintendente da Autopista.

A Contorno vai ganhar ainda duas passarelas, viadutos, ponte e iluminação com lâmpadas de led, como a que já é usada na BR-101, no trecho entre Niterói e Itaboraí. A expectativa com o novo visual é grande. “É uma obra muito complexa”, avalia o superintendente Odílio Ferreira.

Defensas metálicas em acesso bloquearam tráfego

Dono da Chamon, Ricardo Maia afirma que a duplicação da Contorno causou prejuízos à empresa. Segundo ele, a concessionária colocou defensas no acesso à empresa pela rodovia, impedindo que caminhões passem por ali.

Segundo ele, os veículos têm que passar pela Ilha da Conceição, onde as ruas são estreitas. “Tive que demitir 30% dos empregados. Meu prejuízo chega a R$ 300 mil por mês e isso já tem dois anos”, disse o empresário.

De acordo com a Autopista Fluminense, o acesso comercial ao longo da rodovia deve obedecer às normas técnicas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A concessionária alega que instalou obstáculos na região disputada na Justiça para impedir a passagem de veículos e dar mais segurança a quem passa.

Odílio Ferreira, superintende da Autopista, alega que o acesso é irrregular. “É um assunto que a gente já vinha tratando, mas houve a necessidade da intervenção da ANTT. Com os estaleiros não tivemos problemas”, disse.

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