São vários tipos de frutas, legumes e flores. Mas o que o morador de Icaraí gosta mesmo de fazer num sábado de manhã na feira livre da Rua Lopes Trovão é comer pastel e beber caldo de cana. O programa já faz parte do calendário da advogada Giane Pires, de 39 anos, e do funcionário público Fernando Maués, de 50. O casal aproveita para levar a filha Maria Fernanda Maués, de 1 ano.
Giane confessa que a intenção é mais comer pastel do que fazer a feira. “É bom para dar uma volta com a Maria Fernanda. Ela gosta de ver o movimento e adora as cores da feira. Digo que viemos aqui aos sábados bater o cartão”, diverte-se a advogada.
E o passeio costuma se estender para o Campo de São Bento, que fica do outro lado da rua. “Às vezes, compramos os pastéis na feira e vamos comer lá, tipo um piquenique. É um programa muito gostoso”, conta Giane, revelando que, a cada sábado, escolhe um pastel de sabor diferente. “É bom variar, mas todos são gostosos”, explica.
Outro niteroiense que não perde a feira de sábado é o psiquiatra Frederico Vasconcelos, de 62. Mas ele prefere a tapioca com café ao pastel com caldo de cana. A iguaria típica nordestina, aliás, está ganhando cada vez mais adeptos nas feiras. Na da Lopes Trovão há duas barracas que vendem o produto. A escolhida por Frederico, que é vizinho da feira, é a de Aline do Nascimento, de 27.
Além da tapioca, ela serve café, leite e suco, entre outras bebidas. Ela vende também a farinha e ensina a fazer o alimento. “É mais saudável, não tem glúten. Gosto com queijo”, diz o médico.
Pastéis e tapiocas à parte, caminhar pela feira é outro programa obrigatório. O lugar é um convite às cores, cheiros e sabores.
A começar pelos toldos amarelos e azuis que cobrem as barracas. De plástico, eles permitem que a luz do sol atravesse as coberturas dando um colorido especial.
E uma das barracas mais coloridas é a de Rosemary Moraes Passos, de 50 anos, feirante há 20. É impossível passar por ela e não ser atraído pela mistura de cores de uvas, mamões e mangas. “Aqui é a melhor feira de Niterói”, orgulha-se ela, que também vende em São Francisco, às terças-feiras.
Estratégia de venda
Uma provinha de melancia oferecida por um feirante, um gomo de tangerina oferecido pelo outro barraqueiro do lado ... e assim os frequentadores vão conhecendo e curtindo os sabores do lugar. Distribuir as frutas é a estratégia para atrair os clientes, já que a concorrência é grande. São inúmeras as barracas espalhadas por quase toda a extensão da Rua Lopes Trovão.
Já no balcão de Elso Fonseca, de 68, o sabor é de aipim. Tem cozido, cru, com ou sem casca, inteiro ou picado. Fica a gosto do freguês qual deve levar para casa.
Mas, para facilitar e, claro, aproximar os clientes, ele descasca e corta o legume na hora. “Fazer isso em casa vai dar muito trabalho e fazer sujeira. Assim, facilito a vida das pessoas”, diz ele.