Por bianca.lobianco
A loja de Ricardo Azevedo cerca de mil cópias por mês. Resultado melhora 20% em meses com datas comemorativas%2C como o Dia dos Namorados Alexandre Vieira / Agência O Dia

Rio - De 2011 para 2013 as vendas de CDs, DVDs e Blu-ray tiveram queda de 25%. No mesmo período, o acesso à música digitalmente teve aumento de 105%. Somente de 2012 para 2013 o número de downloads cresceu em 87,15%. Os dados são da Associação Brasileira de Produtores de Disco (Abpd). A reboque do mercado, as lojas de CDs da cidade praticamente desapareceram. Só restaram duas: a Little Rock, no Shopping Itaipu Multicenter, e a Tropical Musical, no Plaza. E para os amantes do vinil, a tarefa é ainda mais difícil. O jeito é procurar em sebos ou partir para as feiras do Rio, como o Mercado das Pulgas, na Praça XV.

A Little Rock já teve quatro lojas, uma na Barra e três em Niterói. O dono, Ricardo Azevedo, abriu a primeira unidade em 1995 e testemunhou o auge do mercado. “De 95 a 2004 eu vendia mais de 5 mil cópias em um mês”, diz.

Em 2011 ele fechou a penúltima loja, na Moreira César, em Icaraí, e abriu uma franquia da My Place (loja de moda feminina) para as filhas. Hoje, a Little Rock tem cerca de 6 mil títulos disponíveis e vende cerca de mil itens por mês, com picos em datas comemorativas. “Nos Dias das Mães, dos Pais e dos Namorados as vendas sobem 20%. No Natal é melhor ainda, o número triplica”, afirma.

Mas nem tudo está perdido. Segundo o comerciante, produtos evangélicos e infantis ainda vendem bem. Além disso, todo mês ele repõe o estoque dos discos dos Beatles.

A estudante Liz Tibau, de 23 anos, é uma apaixonada por LPs: “Aproveitei que minha avó tinha uma vitrola parada e coloquei para funcionar. Hoje eu tenho uns 300 LPs. O prazer em manusear o disco e em ver a arte das capas é especial.”

Ela começou a coleção há 2 anos e já chegou a pagar R$ 180 em um disco, mas o preço de um vinil varia de acordo com sua raridade. Alguns passam dos R$ 1 mil.

Para não ‘virar o disco’ jamais

Alguns projetos fortalecem a cultura dos discos. Um deles é o Vitrolinha, um evento mensal que reúne apaixonados por vinil. A iniciativa é da DJ Tata Ogan e completa um ano em outubro.

“A gente se reúne todo mês na Cantareira, mas também levamos o projeto para outro lugares. Já trouxemos DJs de vários coletivos de vinis, até da França e da Inglaterra. O objetivo é juntar as pessoas para ouvir música de qualidade, sempre divulgando o vinil”, fala.

A estudante Liz Tibau%2C que também atua como DJ%2C tem uma coleção com cerca de 300 discos de vinil Alexandre Vieira / Agência O Dia

Outro exemplo, este de CDs, é o Niterói Discos, que seleciona artistas da cidade para bancar a produção de mil cópias. Desde 1991, o programa é pioneiro no país e já lançou 175 CDs. Músico consagrado, o secretário de Cultura, Arthur Maia, acredita que Niterói tem talentos que podem ‘ganhar o mundo’, segundo suas próprias palavras. “Tem muita gente que está começando e merece e precisa ser ajudado”, diz.

De acordo com ele, cada disco custa de R$ 15 mil a R$ 18 mil. Neste ano já foram produzidos três, que serão lançados até novembro. A intenção é produzir oito discos por ano a partir de 2015. Ainda esse ano será divulgado o edital para que músicos e grupos se inscrevam no projeto. A seleção é feita por uma comissão isenta da parte política, formada por profissionais da música.

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