Saúde: quase 70% da população tem acesso à rede particular da cidade

Município tem 4,1 leitos por cada mil habitantes, enquanto a média nacional é 2,9

Por O Dia

Niterói - Sabe o cenário de guerra que normalmente se vê nos hospitais? Pessoas em leitos improvisados, pranto e ranger de dentes pelos corredores... Então, a equipe do passou a semana visitando as emergências da cidade para fazer um diagnóstico. E não encontrou nada disso. A explicação? De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), 67% da população tem plano de saúde.

Outra boa notícia é que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda no mínimo três leitos por mil habitantes (próximo à média nacional: 2,91). E, segundo dados do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Casas de Saúde de Niterói e São Gonçalo (Sindhleste) e da prefeitura, por aqui são 4,1 leitos por cada mil moradores. No total, são 1.145 privados e 861 públicos.

A cidade tem 2.006 leitosArte%3A Infografia O DIA

O que o presidente do Sindhleste, Aécio Nanci, aponta como problema é o entorno da cidade. “Existe uma carência na saúde da região Leste Fluminense como um todo, o que faz com que gente de outras cidades, como Itaboraí e Maricá, procurem atendimento em Niterói e São Gonçalo, enforcando o serviço nesses municípios. Levando esta demanda em consideração, a média de leitos por mil habitantes em Niterói cai para 2,5”, esclareceu.

Para atendimentos de emergência, a cidade conta com 11 unidades públicas e 11 particulares (mapa).
Para o chefe da emergência do Complexo Hospitalar de Niterói (antigo HCN), Alex Sander Ribeiro, carência de hospital não é mesmo um problema. A questão é que falta de mão-de-obra. “O nosso foco é atender casos de alta complexidade. Os casos mais brandos poderiam ser solucionados nos consultórios, mas estes estão sempre lotados”, apontou.

O hospital, que está na cidade há 23 anos, realiza cerca de 12 mil atendimentos de emergência por mês. Este ano foi inaugurado o prédio novo da maternidade e a previsão é que até 2016 o número de leitos chegue a 450.

O comerciante Cristiano Mesquita, de 37 anos, teve que esperar por uma hora para ser atendido. Ele saiu de Piratininga para se consultar no Centro na última terça-feira. “Não temos um bom hospital na Região Oceânica. A única opção é o Mário Monteiro (unidade municipal de urgência)”, informou.

A secretária municipal de Saúde, Solange Regina de Oliveira, disse que os investimentos municipais nos últimos dois anos somaram R$ 23 milhões. “As unidades estavam abandonadas há um tempo e acabaram ficando sucateadas. Reconstruir não é um processo simples. Já estamos sentindo melhoras”, contou, lembrando que o Carlos Tortelly, o maior da rede municipal, é um que está passando por obras, que custaram R$ 1,8 milhão e devem ser concluídas em março de 2015.

A recepcionista Andrea de Lima não teve problemas no Carlos TortellyAlexandre Vieira / Agência O Dia

Pacientes reclamam de falta de estrutura dos hospitais e despreparo de médicos

A chef de cozinha Caroline Gomes, 34, sempre leva a filha até a ala pediátrica do Hospital Icaraí. “Não é nada absurdo, demora porque tem gente sendo atendida. O que me deixa impressionada às vezes é o despreparo dos médicos”, disse.

O hospital é o maior da cidade em relação ao número de leitos – são 300. Há três anos na cidade, a unidade realiza 9 mil atendimentos mensais. Segundo o diretor médico, Biagio Ganino, a intenção é implantar na unidade um centro de oncologia, quimioterapia e radioterapia.

Na rede pública, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), no Fonseca, atende 240 pacientes por dia. O problema por lá é que “é muita gente para um médico só”, como testemunhou a recepcionista Andrea Silva de Lima, de 27 anos. Ela optou por recorrer ao Carlos Tortelly, no Centro, onde não teve problemas na emergência.

Quem já conhece bem a unidade é o pedreiro Marcos Gonçalves, que aos 47 anos tem arritmia cardíaca. “Já estive no Azevedo Lima, no Antônio Pedro e no Carlos Tortelly. Sempre fui bem atendido e fiz todos os exames necessários, o problema é a falta de estrutura. Não tem lençol, nem ventilador, o espaço é apertado”, contou.

A Secretaria Estadual de Saúde disse que investiu cerca de R$ 15 milhões na rede básica e em equipamentos de Niterói. Um dos beneficiados foi o Azevedo Lima, que tem cerca de 150 leitos e atende toda a demanda de trauma. 

De janeiro a agosto deste ano, o Ministério de Saúde destinou verbas que somam R$ 16,2 milhões para o Hospital Universitário Antônio Pedro. Além disso, o Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários (REHUF), destinará R$ 7,6 milhões para o estado do Rio.

Unidade municipal de urgência Mário Monteiro está provisoriamente no prédio da Amil%2C em PiratiningaAlexandre Vieira / Agência O Dia

Região Oceânica é a mais carente

Como foi mostrado no DIA na última terça-feira, o governo do estado está analisando a possibilidade de administrar um hospital novo em folha construído em Piratininga pela iniciativa privada, mas que nunca foi utilizado e esta à venda pela internet.

A Região Oceânica, com 69 mil habitantes, é a parte da cidade mais carente de leitos. Atualmente, tem somente a unidade municipal de urgência Mário Monteiro, que está em obras desde agosto para se tornar uma UPA. Desde então, o pronto socorro está funcionando no prédio onde era o pronto atendimento da Amil, em Piratininga. A obra vai custar algo em torno de R$ 3,5 milhões e tem prazo de término para agosto de 2015.

Na rede particular, a região irá ganhar um novo hospital da Unimed, que ainda em 2014 vai inaugurar seu Centro de Imagens.

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