Gastronomia & etc: Lagareiro tem degustação que aguça os sentidos

Aula com Ronan Kerrest mapeia regiões produtoras e suas uvas

Por O Dia

Niterói - É tanta oferta de vinho nessa época do ano que fico meio perdida. Tenho preferido um bom Malbec argentino ou um Caménère chileno que são leves com um preço bem honesto. Além disso, me agrada a ideia de prestigiar vinhos latinos. Os alentejanos também são boas escolhas.

Para aprender mais sobre a bebida fui fazer uma degustação de vinhos franceses no Lagareiro com Ronan Kerrest, um francês que cresceu nos vinhedos da família no sul da França e que, ao conhecer o Brasil, percebeu que os vinhos portugueses e italianos são os mais vendidos por aqui. Ele concluiu que falta divulgação e tomou a tarefa para si. Afinal, havia adorado o Brasil e seria um bom meio de possibilitar uma estadia permanente. Hoje, ele mora em Florianópolis e percorre o país divulgando vinhos da sua terra.

Da esquerda%3A Domaine Vrignaud Chablis 2011%2C Domaine Léon Boesch 2009%2C Chateau D'Archambeau 2008 e Côtes du Rhone Rasteau 2009Suzana Blass

Sua aula mapeia as regiões produtoras e suas uvas, mostrando fotos e contando casos como o de sua avó, que nunca bebeu água, apenas vinho. Admite que os vinhos franceses são caros mas defende o preço.

Começamos com os brancos e Ronan nos ensinando a inclinar a taça com o vinho numa superfície branca para identificar reflexos verdes ou dourados. Sentimos os aromas sem mexer o líquido e só depois de identificá-los é que demos aquela conhecida rodadinha para expandir os aromas. Só então veio o primeiro gole aguçando as sensações do paladar: salgado, doce, amargo e ácido. Quanto mais equilibrado o vinho, melhor ele vai preencher as quatro sensações.

As provas eram às cegas e tínhamos que reconhecer as uvas e os aromas. No primeiro, a uva era Chardonnay e tinha reflexos esverdeados, bem ácido. Já o segundo tinha reflexos dourados e era mais encorpado, bem mais gostoso. Ronan lembra que o vinho branco deve ser comprado até três anos após ser produzido.

Depois, passamos ao vinho tinto. Ao inclinar a taça, Kerrest ressaltou a diferença entre o centro e a borda, que deve ser mais clara. E sentimos aromas como couro e pimentão. Era um Bordeaux com uvas Merlot.
O último foi o melhor. Senti aroma de cassis, cereja e eucalipto. A uva era a Grenache e combinou muito com uma torta de chocolate meio amargo.

Kerrest avisa que a safra de 2009 foi incrivelmente boa para os vinhos franceses.É uma compra sem erro.
Os nomes dos vinhos estão nos rótulos da foto e eu acho que sobre as principais uvas francesas eu já tenho uma ideia.

Coluna de Suzana Blass

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