Por marina.rocha
Yagonny Reis está entre os melhores velocistas do paísEstefan Radovicz / Agência O Dia

Niterói - Todos os dias o centro de treinamento da Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos, a Andef, se enche de pessoas que encontraram no esporte uma nova forma de começar. Atualmente, 196 paratletas se dividem nas dez modalidades oferecidas na sede em Rio do Ouro, onde fica o primeiro e maior centro paralímpico da América Latina. As atividades de pista são o forte: dos 25 que ali treinam, cinco têm chances reais de participar das duas grandes competições internacionais que se aproximam, o Parapan-Americano que acontece em Toronto este ano e os Jogos Paralímpicos do Rio, em 2016.

Um deles é Yagonny Reis de Sousa, de 22 anos, que já é recordista brasileiro nos 800m rasos. Ele mora em Itaboraí e vai todo dia treinar na Andef. Aos 18 anos perdeu parte dos braços após sofrer queimadura elétrica em um acidente de trabalho.

“A Andef é minha segunda casa. Aqui eles oferecem tudo, apoio psicológico e físico. Ao longo da pista nós somos uma família. Agora estou treinando bastante, durmo e acordo pensando no Parapan e nos Jogos. Estou confiante que vou passar para as duas competições”, afirmou.

Quem não fica atrás é Bruno Marins, 22, que tem má formação no braço direito e compete nos 100m, 200m e 400m e já foi premiado em todas as categorias. Ele já esteve na França, Alemanha, Holanda, EUA e Porto Rico.

“O que arrepia mesmo é quando você está no pódio ouvindo o hino do Brasil. É uma conquista muito grande, quase não dá para acreditar no que está acontecendo”, contou o atleta.

Atrás de seu primeiro título, Jorge Veiga Martins, 27, está confiante que vai ser classificado para competir no salto em altura. Essa será mais uma conquista para ele. “Eu nunca imaginava ser um atleta e hoje sou muito agradecido por isso”, falou.

Já Paulo Douglas de Souza, 29, é tricampeão mundial em dardo e vai tentar o Parapan no lançamento de disco. “Não estava bem quando vim pra cá, mas aqui coisas boas acontecem. A Andef é tudo pra mim hoje, foi o que me ajudou a levantar a cabeça”, disse ele, que tem paralisia cerebral.

Outro que está no páreo para competir pelo Brasil é Pedro Neves (foto), 36. A paralisia cerebral não impediu que ele batesse o recorde brasileiro em salto em distância. “Eu tinha preconceito comigo mesmo, mas, depois que vim para a Andef, eu melhorei muito”, disse.

Pedro mora no Morro do Cavalão, em São Francisco, e quer levar o atletismo para a comunidade. A ideia é colocar a pista em um terreno ao lado de um reservatório da Águas de Niterói. O projeto está sendo estudado pela empresa. O atleta já tem até o orçamento em mãos, ficou em R$ 250 mil.

Yagonny Reis de Sousa (a partir da esq.)%2C Pedro Neves%2C Paulo Douglas de Souza%2C Cosme do Nascimento%2C Jorge Veiga Martins e Bruno MarinsEstefan Radovicz / Agência O Dia

A maior da América Latina

O CT da Andef foi selecionado para receber delegações internacionais no período de aclimatação das Olimpíadas e Paralimpíadas do Rio, em 2016. Estão até começando algumas reformas nas quadras e alojamentos. Um dos fundadores e presidente da instituição, Guilherme Ramalho, adiantou que já recebeu visitas de representantes da Turquia, Grécia e Canadá.

A associação oferece diversas oportunidades para os deficientes, tem programa de reabilitação, vagas de emprego, cursos técnicas e até ajuda psicológica. Mas o esporte tem grande importância pela socialização e integração que promove.

“A Andef é a maior instituição voltada para deficientes da América Latina, reconhecida internacionalmente. Todas as leis que beneficiam o deficiente tem nossa participação. O Comitê Paralímpico Brasileiro foi criado aqui dentro, o esporte foi a nossa primeira ferramenta de trabalho e é nossa principal fonte de integração. O esporte realiza o relacionamento humano”, explicou Guilherme Ramalho. Além disso, os paratletas conseguem ter independência financeira e ainda viajam para diversos países..

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