Por marina.rocha

Niterói - Os skatistas de Niterói não poderiam estar mais felizes. É que essa galera ganhou um novo point de presente para praticar saltos, manobras ou simplesmente dar um 'rolé'. E tá sendo um sucesso. Desde a inauguração, o Skatepark Carlos Alberto Parizzi, em São Francisco, está sempre lotado, com gente de todas as idades e até de outras cidades. São 2,5 mil m² divididos entre pistas, escadas e corrimões. 

Skatepark%2C em São Francisco%2C tem ficado lotado todos os diasPaulo Araújo / Agência O Dia

“Esse skatepark foi uma grande conquista e só foi possível porque finalmente tivemos uma abertura com a prefeitura. A inauguração foi um dos momentos mais marcantes da minha vida”, disse Guilherme Bettamio, presidente da Associação Niteroiense de Skate (ANS).

É ali onde skatistas conhecem novos amigos, aperfeiçoam as manobras e aprendem novas técnicas. Craque no ‘nose slide’ (onde a parte da frente do skate desliza na mureta) Gabriel Loureiro, 15, fez amizade com João Gustavo Cardoso, 13. “Venho sempre para ver (ao vivo) o que antes eu só assistia em vídeos da internet”, contou Loureiro, lembrando que esta relação entre os atletas é fundamental para quem deseja se desenvolver no esporte. 

Viciado na prancha de rodinhas, Pedro Berg, 17, voltou de Florianópolis, Santa Catarina, para onde foi só para andar de skate, e foi direto para a pista. “Eu sempre fico pensando onde vou ‘remar’ e qual manobra vou mandar. Já deixei de ir à muita festa pra andar de skate. Ia todo fim de semana ao Aterro do Flamengo, agora os cariocas que vão ter que vir pra cá”, brincou.

E não tem jeito, para aprender é preciso cair e levantar, sem desistir. Como Otávio Vieira, que aos 7 anos já consegue rodar a pista toda em cima de seu ‘street’ (skate utilizado na rua). “A pista tá muito irada!”, declarou, entre um tombinho e outro.

O espaço chegou a tempo de animar a última semana de férias escolares de muita gente. O administrador de empresas Pedro Teixeira, 45, veio do Rio com os dois filhos para aproveitar o novo espaço. “A gente conhece várias pistas do Rio e essa não fica atrás de nenhuma. Só disputa com a de Madureira”, falou o pai enquanto os filhos Luca de 12 anos e Bruno de 7 ‘mandavam suas manobras’.

Prefeito Rodrigo Neves e o vice-prefeito Axel Grael participaram da inauguração Divulgação

O estudante Patrick Cavegn, 19, é de São Gonçalo mas já virou frequentador assíduo da pista. “Com certeza vai ajudar muita gente que quer aprender e quem quer se profissionalizar, como eu”, destacou para em seguida realizar um ‘flip na base’ (giro no ar perfeito).

Morador de São Francisco, Arthur Souza, 12, é só felicidade. “A pista é muito boa, já virou minha segunda casa. Eu sou o futuro de Niterói no skate”, afirmou no alto de todo seu perfil skatista.

Bowl só ficará pronto no final do mês

Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem, mas cadê o Bowl? A ‘piscina seca’ para manobras não ficou pronta a tempo da inauguração do skatepark. Mas, segundo a prefeitura, a previsão de término da obra é para este mês ainda. De acordo com Guilherme Bettamio, quando ficar pronto, o bowl vai receber um campeonato com a presença de atletas de nível nacional. A data ainda será marcada pela Secretaria de Esportes e Lazer.

Além disso, a pista que fica ali ao lado, conhecida como Pântano, também está passando por reformas. A prefeitura informou que a obra fica pronta em abril.

Há motivos de sobra para quem nunca tentou se aventurar sobre as rodinhas. “O skate é um esporte underground, não é caro. Praticado na rua por uma galera que é muito unida”, disse Bettamio.

Um skate montado importado tem preço médio de R$ 500, já uma versão nacional pode ser comprada por R$ 300.

Skatistas de Niterói se reúnem para praticar manobrasPaulo Araújo / Agência O Dia

Espaço está aberto 24h por dia, todos os dias da semana

Na terra de Araibóia o skate vem tomando a cena de vez. Já são cerca de 10 mil praticantes na cidade. Com iluminação específica, o skatepark Carlos Alberto Parizzi é o point perfeito para esta galera. O espaço fica aberto 24h, todos os dias da semana. 

“É o esporte que mais cresce ultimamente. Está superando até o surfe, e vai crescer ainda mais agora, com o skatepark. É um ambiente muito bacana, onde todos têm o mesmo objetivo e se ajudam”, destacou o presidente da ANS, Guilherme Bettamio.

Comprovando a crescente, o casal Kamilly Magalhães, 20, e Luiz Jason, 22, começaram a praticar em janeiro. Compraram o skate e, agora, sempre que arrumam um tempinho estão indo treinar na pista. “Só espero que a galera saiba conservar o espaço”, apontou Jason, que ainda se arrisca nas primeiras ‘remadas’.

De acordo com a ANS, ainda este mês terá um efetivo da guarda municipal 24h para cuidar da segurança da pista e um monitor da Secretaria de Esportes e Lazer ficará para cuidar da preservação do local. E a longo prazo também vai rolar uma escolinha de skate.

O local não tem banheiro nem bebedouro, mas ninguém parece estar muito preocupado com isso. Pelo contrário. O músico Pedro Marzano viu até uma oportunidade de ganhar um ‘graninha’ extra. Está vendendo água (R$ 2) e Gatorade (R$ 10) para a garotada.

O secretário municipal de Esportes e Lazer, Bruno Souza, só tem motivos para se orgulhar. “A pista é o maior equipamento esportivo da cidade e a ideia é fazer espaços assim para outras modalidades de acordo com os pedidos da sociedade”, afirmou.

Reportagem de Marina Rocha

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