Saiba onde e como enterrar ou cremar o seu amigo de quatro patas

Jardim das Flores, em São Gonçalo, e Horto do Fonseca são opções

Por O Dia

Niterói - O projeto de Lei 245/2013 do vereador Renatinho (Psol), que previa o sepultamento de animais nos jazigos dos donos, causou polêmica na câmara em abril, quando foi apresentado, e acabou sendo rejeitado por 12 votos a 4. Seria uma alternativa para os niteroienses donos de animais de estimação, mas que não têm onde sepulta-los, já que a cidade não tem cemitério e nem crematórios públicos para animais.

Elisa Modesto precisou recorrer ao veterinário para cremar Pantroarquivo pessoal

Contra a iniciativa, os vereadores Beto da Pipa (PMDB) e Paulo Henrique (PPS) querem que seja criado um cemitério para animais, mas a proposta apresentada à câmara ainda não foi votada.

Enquanto isso, os donos de pets continuam sem saber onde deixar os peludos depois que eles morrem. Foi o que aconteceu com Elisa Vieira Modesto, de 33 anos, e Eduardo Villela, de 39. Em junho de 2014, eles perderam Pantro, um persa de 12 anos, vítima de insuficiência renal. “Não sabíamos o que fazer e nem aonde ir. Deixamos a cargo da veterinária e ele foi cremado", lembra, ela, aos prantos.

Sem ter onde sepultar seus animais em Niterói os donos acabam buscando o serviço em outras cidades da região como o Jardim das Flores, em Rio do Ouro, em São Gonçalo.

“Tive consultoria de veterinários para esse serviço. Tem cerca de 700 animais enterrados aqui, mas isso não é meu meio de vida. O dinheiro que ganho gasto para cuidar das dezenas de cães que tenho aqui e manter o local”, explica Wilson Feres, dono do local. Lá, os donos dos animais podem optar por jazigo perpétuo com cerca de madeira e os pets ganham até túmulos com direito a placa com nome. O preço do serviço varia de acordo com o tamanho do animal.

Wilson Féres oferece jazigo perpétuoPaulo Araújo / Agência O Dia

Pouco divulgado, o crematório da Pesagro, no Horto do Fonseca, é outra alternativa. Segundo o biólogo Waldo Moreno, no local são cremados cerca de 15 animais por mês. O serviço custa R$ 70. “Fazemos cremação dos animais domésticos trazidos por seus donos ou pelas clínicas veterinárias. Mas não entregamos as cinzas e nem fazemos cremação individual”, explica.

Há, ainda, aqueles que enterram o animal no quintal, o que pode caracterizar crime ambiental se atingir o lençol freático ou causar poluição atmosférica em níveis que ponham em risco a saúde humana. O crime é de poluição previsto no artigo 54 da Lei de Crimes Ambientais. A pena é de até quatro anos.

Animais sem dono acabam no lixo

Se até o destino final dos animais domésticos em Niterói é duvidoso, imagina o dos animais abandonados. Muitos são deixados onde morrem ou jogados em terrenos baldios e no lixo. Segundo a assessoria de imprensa da Clin, é comum os garis encontrarem animais durante a coleta, principalmente cães, a maioria no Centro e Zona Norte. Eles são levados para o Centro de Tratamento de Resíduos de Alcântara.

Professor do Departamento de Engenharia da UFF, Manoel Isidro de Miranda Neto, alerta para o problema.

“Assim como nós, os bichos em decomposição liberam substâncias que podem contaminar o solo e o lençol freático. Por isso, é necessário enterra-los em local adequado com sistema de drenagem do solo, entre outros procedimentos. Jogar no lixo também não é correto”, explica ele.

O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) prevê o funcionamento de cemitérios para animais e cada município tem uma lei que disciplina como os bichos devem ser enterrados.

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