Por marina.rocha

Niterói - Tem mais policiais na rua, isso é fato! Somente os do Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis) subiram de seis por dia para 40, e neste caso quem paga pelo serviço é a prefeitura e não o governo estadual. O secretário de segurança, José Mariano Beltrame, também destacou mais homens: até o fim deste mês, 25 PMs do Batalhão de Choque circularão pela cidade. A ideia de implantação de um batalhão exclusivo para atender Niterói que antes parecia inviável, agora já está na pauta do governador Luiz Fernando Pezão. E vem aí um Centro Integrado de Polícia de Proximidade (Cipp) na Região Oceânica, com mais 150 homens. Atualmente, são 1.054 policiais lotados no 12° BPM. Porém, as luzes vermelhas das viaturas parecem não intimidar os criminosos. E a população, cada vez mais acuada, se esconde.

Confira os números da violência em NiteróiArte%3A Infografia O DIA

"Niterói conta com três polos gastronômicos que atuam no período noturno. Antes, essas casas tinham movimento de clientes até às 2h, hoje precisam fechar às 23 horas, porque, a partir desse horário, já não há gente nas ruas. A população está assustada", destacou o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Niterói, Fabiano Gonçalves.

Os taxistas também sofrem o efeito do medo. Segundo o Sinditaxi, muitos não querem trabalhar durante a noite “com medo de serem as próximas vítimas”.

Para o professor de Direito Penal e de Criminologia da UFF, Daniel Raizman, existem duas questões: “O aumento da criminalidade e a insegurança. Todos os dias morre alguém por fato violento e as pessoas se sentem mais inseguras ao verem as notícias. Elas pensam: hoje foi com ele e amanhã pode ser comigo. Você começa a se enxergar como uma vítima em potencial", analisa.

Segundo ele, a causa da explosão da criminalidade aconteceu após a instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) no Rio. "O soldado do tráfico que fazia a segurança ostensiva ficou desempregado", diz.
Mas Raizman não vê com bons olhos o aumento apenas do aparato policial na tentativa de combater a violência. "Isso não é o suficiente. O estado não está dando conta. Muita polícia não é a solução se não vier acompanhada de outras políticas. Nenhum sociedade se estrutura na ponta do fuzil", finaliza ele.

Pelos números, Fonseca foi bairro com mais crimes

Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) de janeiro a maio desse ano mostram que houve aumento do latrocínio, de mortes em confronto policial (auto de resistência), lesão corporal seguida de morte e de roubo de celular em Niterói (comparado com o mesmo período do mês passado). Esses delitos são considerados estratégicos pela Secretaria de Segurança no planejamento da redução da criminalidade.

Domingo passado%2C Carlos Calmon foi morto na frente da filha de 7 anosFabio Gonçalves / Agência O Dia

Os números mostram ainda que o Fonseca é o bairro mais violento da cidade. A região tem os maiores índice se latrocínio (roubo seguido de morte), lesão corporal seguida de morte, assaltos a pedestres, roubos a coletivos e de carros. No mesmo período do ano passado, ela também ficou em primeiro lugar no ranking . Foi no Fonseca que dia 13 o taxista Marcio Antonio Mazzeto foi esfaqueado numa tentativa de assalto. Ele levou mais de dez facadas. Os criminosos ainda não foram sequer identificados.

Já os maiores índices de morte em confronto policial, o chamado auto de resistência, são da área da 76º DP (Centro) e 79ª DP (Jurujuba). É também da 76ª DP a maior incidência de roubo de celulares. Houve aumento ainda na apreensão de menores infratores de janeiro a maio desse ano, foram nove casos a mais que em 2014.

Homicídio apresentou queda e o maior número de casos foi em Maricá. Em Niterói, o bairro de maior incidência foi Itaipu. O comandante do 12º BPM, coronel Gilson Chagas, afirmou que remanejou os policiais dos serviços administrativos para o policiamento ostensivo.

Moradores pedem paz

Na próxima quinta-feira, haverá uma reunião do Conselho de Segurança de Niterói com lideranças da cidade, comerciantes e autoridades policiais na Câmara dos Dirigentes Lojistas de Niterói (CDL). Moradores organizam um protesto contra a violência para o próximo dia 10, às 17h. Eles vão caminhando das barcas até o 12º BPM (Niterói).

O auxiliar administrativo Tiago Gomes, de 33 anos, é um síntese do sentimento dos moradores da Cidade Sorriso. "Virei refém do medo. Tenho pânico de sair de casa. Não vou mais a bares, shows, nem restaurantes, prefiro até pedir comida em casa, para não arriscar a sair na rua", disse ele, que está sempre antenado aos grupos de notícias das redes sociais. 

"As coisas estão acontecendo do lado da gente a toda hora. Até vejo policiais na rua, mas é pouco para o número de crimes que acompanho", reclama.

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