Time de futebol americano entra em campo pela adoção de animais

Jogadores do Federals também vão arrecadar ração, cobertores e caminhas no jogo do dia 5

Por O Dia

Niterói - O Federals, time de futebol americano de Niterói, já marcou um golaço antes mesmo de entrar em campo no próximo dia 5, contra o Itaipuaçu Krakens na disputa da Liga Fluminense(Liffa). É que os jogadores serão voluntários neste domingo, das 10h às 15h, no Campo de São Bento, na Feira Adote Seu Melhor Amigo ajudando aos cães e gatos a ganharem um lar.

Claro, eles ainda vão aproveitar para divulgar a próxima partida do time, disputa que vai além da permanência no campeonato da Liffa. No dia 5, eles pedem que os torcedores que forem assisti-los doem ração, cobertores e caminhas para cães e gatos. E tudo o que for arrecadado será enviado ao grupo da advogada Cristiane Ribeiro Cazes, de 46 anos, coordenadora da feira deste domingo. E a partida terá ainda duas participações muito especiais. Os jogadores entrarão em campo com Pagode e Nogui, ambos de 2 anos, castrados, vacinados e prontos para adoção.

Sem patrocínio%2C atletas fazem a famosa ‘vaquinha’ para disputar campeonatos. Uniforme custa R%24 1%2C5 milKarina Gotlib

A ideia de participar da causa animal partiu do vice-presidente do Federals, o geógrafo Raphael Nunes de Souza Lima, de 29 anos, que já conhecia a feira promovida por Cristiane.

“Ano passado, a caminho de um jogo em Teresópolis, resgatamos dois cães amarrados num barranco na estrada. Uma estava prenha. Dois jogadores ficaram com eles e doaram os filhotes. Lembrei desse episódio e resolvi ajudar”, comemora ele, avisando que disputarão mais duas partidas em Niterói. “Em todas, pediremos doações” antecipa Raphael.

E Cristiane está feliz da vida. “Tudo será doado a 15 protetores que têm muitos animais”, explica ela. Mas essa não é a primeira vez que o Federals leva para campo uma causa nobre, apesar de toda dificuldade que o time enfrenta, já que não tem patrocínio. “Já fizemos campanha de doação de sangue e do agasalho”, conta Raphael.

São os jogadores que pagam tudo do próprio bolso para poderem participar do campeonato. E os gastos não são poucos. No mínimos eles têm despesas com alimentação e aluguel de ônibus para participar das partidas. “Gostamos muito do esporte. Não usamos o uniforme completo e a qualidade do nosso é inferior porque não temos dinheiro para custear tudo”, revela o técnico do time, Ícaro Mendes Pinheiro Alves, de 35 anos. 

Segundo ele, todo o aparato, com ombreira, capacete, joelheira e protetor de boca, custa em torno de R$ 1,5 mil. “E alguns itens só existem no exterior, o que encarece mais ainda o uniforme”, conta ele, que é um dos fundadores do Federals. Ícaro lembra que tudo começou em 2013, pela simples vontade de praticar o futebol americano. “Mas como aqui não é muito divulgado, era difícil jogar. Começamos, então, com um grupo e hoje somos um time”, comemora ele.

Pagode é um sobrevivente do desabamento do Morro do BumbaDivulgação

Com regras completamente diferentes do nosso futebol, os termos técnicos são todos no idioma do Tio Sam e a pontuação é curiosa. Por exemplo, nosso 7 a 1 que tomamos da Alemanha na Copa do Mundo de 2014, se fosse no futebol americano, o placar seria de 49 a 7. Mas o Federals ganhou de 21 a 7 o último jogo, dia 14, contra o Indians. O campeonato termina em dezembro.

Para os cães, ser grande e forte pode ser desvantagem

Por serem grandes, fortes e saudáveis, Nogui e Pagode foram escolhidos para representar os peludos que buscam um lar no jogo do dia 5 com o Federals. Pagode é um sobrevivente do desabamento do Morro do Bumba, em Niterói. “Nos pediram dois cães grandes para entrar em campo, pois os jogadores de futebol americano costumam ser grandes”, diverte-se Cristiane, coordenadora da feira, que também não tem patrocínio. “Isso pode também ajudar a serem adotados porque é difícil adoção de animais do tamanho deles. A maioria quer pequeno”, lamenta. A advogada com seus voluntários estão todo 1º e 3º domingos do mês no Campo São Bento, das 10h às 15h.

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