Por karilayn.areias

Rio - Ter árvores em espaços urbanos é o desejo de toda cidade moderna. Mas por aqui o que seria um bem da natureza está se tornando dor de cabeça. Sem periodicidade no serviço de podas, os galhos constantemente caem sobre a rede elétrica. E aí... “Liga para a Ampla e a culpa é da prefeitura. Liga para a prefeitura e a culpa é da ampla”, irritou-se a funcionária pública Cristiane Maia.

Carlos Koehler demonstra o chip em uma árvore%2C que monitora as condições das árvores na cidade de NiteróiFábio Gonçalves/ Agência O DIA

Moradora da Boa Viagem, ela conta que na semana passada caiu uma árvore inteira. “Por sorte, não atingiu ninguém. É comum: basta um vento um pouco mais forte para a gente ficar sem luz. Dá até para ouvir a explosão dos transformadores”, revelou.

A Secretaria de Conservação e Serviços Públicos (Seconser) informou que já está em andamento um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre a prefeitura e a Ampla, mediado pelo Ministério Público Estadual. A próxima reunião, que deve acertar os ponteiros entre as partes, acontece em meados de julho.

De acordo com o biólogo da Seconser, Alexandre Moraes, a prefeitura é responsável pelas podas de segurança e de manutenção. Já os cortes dos galhos que interferem na fiação elétrica são de responsabilidade da Ampla. “E isso, com certeza, não vai mudar”, afirmou.

A criadora do grupo Salvem as Árvores de Niterói, Celia Fortes, diz que o problema é que muitas vezes as árvores são decepadas aleatoriamente. “Eles cortam sem se preocupar com as árvores. Qualquer um que passe a reparar vai ver que as árvores não estão sendo bem cuidadas”, disse.

E o problema vai além. De acordo com o engenheiro agrônomo Alexandre Monteiro podas mal executadas comprometem o equilíbrio das árvores e podem causar até queda total. “As árvores precisam ser cuidadas por profissionais capacitados com intervalo mínimo de quatro meses”, aponta.

Em Niterói, a manutenção é feita por ruas, mas não tem intervalo certo. Alexandre Moraes disse que os informes da população ajudam o trabalho da secretaria, mas não há um prazo para os chamados serem atendidos.

O presidente da Associação de Moradores do Jardim Icaraí (Amajin), Carlos Koehler (foto), alerta que a falta de manutenção também deixa os moradores da região inseguros. “As copas encobrem os postes e as ruas ficam bem escuras. Ficamos mais vulneráveis a ações de bandidos”, destacou.

A Ampla informou que os colaboradores que realizam a atividade de poda recebem treinamento para afastar os galhos dos cabos e estruturas elétricas sem danificar as árvores.

Mapa das árvores
A prefeitura está mapeando os indivíduos arbóreos da cidade com o projeto Arboribus. Com ele, as árvores da cidade ganham um QR Code com informações como a espécie de cada uma, o estado de saúde dela e o tipo de poda indicado.

Até agora 6,5 mil árvores já ganharam a plaquinha. O problema é que muitas já foram danificadas. Na Rua Nóbrega, no Jardim Icaraí, por exemplo, várias foram arrancadas. A Seconser informou que as placas danificadas identificadas são trocadas.

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