Por marina.rocha

Niterói - Além dos 500 mil habitantes humanos, hoje Niterói tem vasta população de tartarugas marinhas. Nos últimos cinco anos 161 foram contabilizadas pelo projeto Aruanã, que vem assistindo esses animais com capturas feitas na praia de Itaipu. Em trabalho voluntário, de dois em dois meses, um grupo vai ao local para examinar e acompanhar a evolução dos indivíduos. Mais um ciclo foi concluído na última semana, quando cinco novas tartarugas entraram para o banco.

Durante as temporadas de captura, os bichos são medidos, pesados, têm o sangue recolhido para exames e, se necessário, são medicados. Em casos mais graves eles podem até ser levados para o centro de reabilitação da Universidade Estácio de Sá, em Vargem Grande. Isso porquê o Aruanã ainda não tem uma sede própria, e são os voluntários do projeto que bancam os custos dos trabalhos de campo.

As coordenadoras do Projeto Aruanã explicam que os animais se aproximam da areia em busca de comida Divulgação

A ideia nasceu de estudantes de Biologia da UFF. A equipe conta com cinco coordenadores, 18 estagiários e, há pouco tempo, se juntaram dez veterinários. Coordenadora, Suzana Guimarães explica que a região da Baía de Guanabara tem a presença marcante de tartarugas marinhas e que na maioria das vezes elas se aproximam da beira da praia para se alimentar. “A atividade pesqueira chama muito as tartarugas, que vão atrás dos peixes para comer. Na Boa Viagem, por exemplo, elas se aproximam das pedras em busca das algas que ficam ali”, disse.

E acontece que as tartarugas acabam virando a sensação da praia. O trabalho ocorre em frente ao bar do Jorginho, um point do local. Dono do bar, Jorge Bellas afirma que todos apoiam a iniciativa dos biólogos. “Já vi puxarem 35 tartarugas em um dia só. Eu sempre empresto algumas barracas para eles montarem a estrutura. É um trabalho muito bacana, que chama atenção dos visitantes e mostra a importância da preservação do meio ambiente”, destacou.

Aproveitando as férias, a advogada Natalia Nunes levou a filha Ana Beatriz, de 3 anos, para ver a ação do Aruanã. “Ela adorou. Acho importante ela saber que a praia também é o habitat de outros animais e que temos que respeitar o meio ambiente para que isso não mude”, falou.

Para quem perdeu a chance, a próxima temporada será em outubro. As datas são divulgadas na página do facebook Projeto Aruanã.

Poluição pode matar as tartarugas

Enquanto não consegue uma sede para expor permanentemente seu material, a equipe do projeto Aruanã segue com uma mostra itinerante. Com cartazes, eles ensinam como preservar as tartarugas, falam sobre como a poluição é prejudicial à saúde desses animais, além de contarem com cascos e ossos reais de tartarugas para demonstração.

Todo mês eles montam acampamento na feira de adoção de animais no Campo de São Bento, em Icaraí. É sempre nos primeiros e terceiros domingos de cada mês. Eles também aceitam colaborações de fora. Quem quiser ajudar a iniciativa pode entrar em contato pelo e-mail [email protected]

Reportagem de Marina Rocha

Você pode gostar