Jogos Olímpicos estimulam prática do triatlo pelas ruas da cidade

Treinadores afirmam que o que falta é incentivo para atletas

Por O Dia

Niterói - Queridinho entre os esportes praticados ao ar livre, o triatlo é uma das modalidades que integram o quadro olímpico para os Jogos desse ano no Rio. O esporte que envolve natação, ciclismo e corrida anda meio mal das pernas para lançar novos ídolos nacionais, garantem alguns treinadores, mas sem grandes restrições, quem quiser praticar basta ter vontade, disciplina e muita disposição! 

Para o treinador da CE+3 e também triatleta, Carlos Ferraro, a maior dificuldade por aqui não é a escassez de atletas de alto rendimento. “Eles existem”, garante. Mas falta patrocínio. “O pouco incentivo de algumas federações acaba desestimulando muito os atletas também”, explica.

A equipe CE%2B3 faz treinos alternados em horários especiais durante o verão Divulgação

Ele lembra que, para chegar em uma Olimpíada é preciso passar por campeonatos estaduais, nacionais, continentais e mundiais. “Imagina arcar sozinho com todas essas despesas? O sonho olímpico acaba ficando mesmo um pouco mais distante”, conclui.

Na Região Oceânica ou em Icaraí é comum cruzar com grupos de triatletas treinando logo nas primeiras horas do dia ou ao cair da tarde. “Nesse calor os exercícios têm que ser adaptados ou não rendem”, explica o treinador da RF Sports e também triatleta, Rodrigo Ferreira.

Ele organiza os treinos de acordo com o objetivo dos esportistas, seja para um simples emagrecimento ou para disputar uma maratona. “O Rodrigo Braga, que treina com a gente, por exemplo, acabou de se classificar para o meio Ironman na Austrália que acontece este ano”, conta.

Assistente técnico na RF Sports, Vicente Soares diz que as turmas que treinam com ele e Ferreira estão bastante empolgadas com a chegada dos Jogos do Rio. “Até os testes para a seleção dos atletas eles foram assistir. Acredito que a dedicação de todos aumente com a passagem da Olimpíada por aqui”, comenta o treinador.

O esporte é tão completo que até professor de filosofia se rende à prática. Luiz Vaz divide seu dia entre as salas de aula e os treinos na praia de Camboinhas. Ele conta que já garantiu 12 ingressos para assistir de perto seus ídolos no triatlo, o jamaicano Usain Bolt e o inglês Mo Farah, além de outras competições.

GRANDE TALENTO DA CASA

Há 49 anos nascia aqui em Niterói um dos nomes que representaria o Brasil no triatlo mundial. Armando Barcellos, começou sua carreira no esporte na década de 1980, logo assim que a modalidade chegou ao Brasil. Foi bicampeão brasileiro (1998 e 1999), bicampeão do Ironman Brasil (1989 e 1990) e um dos primeiros brasileiros a representar o país em Jogos Olímpicos.

Barcellos acredita que o que falta para os nossos atletas é o intercâmbio com competidores internacionais. “Treinar com pessoas mais bem preparadas que têm a Olimpíada como objetivo ajuda muito. Cria novos parâmetros de comparação, esse é o grande lance”, afirma. 

Reportagem de Paola Lucas

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