Por leandro.eiro

Rio - Cinquenta anos de produção. Meio século de um carro já lendário. Estamos falando do Ford Mustang, que comemora seu importante aniversário com uma bela série especial. Aproveitando a vitrine do Salão de Nova York, Estados Unidos, a marca do oval azul lança a edição 50 Years Limited Edition.

A série especial de 50 anos e o primeiro%2C de 1964Divulgação


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O "Pony Car", apelido famoso do modelo, baseou sua série especial na versão GT, que conta com motor V8 5.0 litros de 420 cv de potência. A edição limitada de 50 anos vem somente em branco (de mesmo tom do primeiro Mustang), ou azul. Serão vendidas 1.964 unidades - referência ao ano de lançamento do esportivo.

Elementos exclusivos de decoração não poderiam deixar de estarem presentes no Mustang especial. Os diferenciais estão nas rodas de 19 polegadas inspiradas no modelo de 1964, aletas na janelas laterais traseiras e no falso bocal para combustível no centro da parte traseira, que traz a inscrição GT 50 Years. No interior, percebemos revestimento dos bancos em dois tons, e costura próprias para o volante, portas e painel. Na extrema direita do painel, diante do carona, uma plaqueta identifica o número de ordem do veículo.

Falso bocal de combustível identifica a série especialDivulgação


Ainda foi adicionado ao Mustang um pacote Performance que conta, entre outros itens, com freios dianteiros Brembo. A série especial deve ser exclusividade para os americanos, as vendas começarão no último trimestre do ano, ainda sem preço definido.

História

A ideia do Mustang surgiu em 1962, quando o mercado americano demandava carros com preços acessíveis com toque de esportividade. Henry Ford II solicitou ao presidente da marca, Lee Iacocca, que desenvolvesse um carro que reunisse tais peculiaridades. O conceito desenhado por Joe Oros teria sua primeira versão de produção dois anos depois. O nome do icônico automóvel foi uma homenagem dada por John Najjar, que trabalhou no projeto, ao avião de caça da Segunda Guerra P-51 Mustang, que ele havia pilotado.

Shelby GT350 1965%3A o preparador texano adicionou tempero ao MustangDivulgação


Lançado então em 17 de abril de 1964, o Mustang recebeu 22 mil encomendas no primeiro dia. O carro caiu no gosto de vários tipos de público, nos EUA, pois oferecia gama ampla de motores, opcionais e acessórios, que seduziam de jovens a aficionados por carros com bom desempenho.

Os primeiros motores vieram do sedã Falcon, blocos seis cilindros em linha. O primeiro era um 2.8 litros de 101 cv e um 3.3 litros de 116 cv. Para os brutos, havia dois V8: o primeiro 4.3 l de 164 cv e outro 4.7 l com potências de 210 cv, 220 cv e 271 cv. O câmbio era manual de três marchas, mas o topo (271 cv) trazia quatro velocidades.

De comprimento reduzido para a época - cerca de 4,5 m de comprimento e entre-eixos de 2,71 m - e motores potentes, surgiu o conceito de "pony car", carro-pônei em tradução livre, uma referência ao pequeno cavalo, porém forte.

Esta primeira geração do Mustang durou nove anos e contou com 31 versões diferentes. Foi a época de maior prestígio do esportivo, em 1966 foram vendidos 607.568 exemplares, um recorde histórico. Era a tempo dos Muscle Cars, nome dado porque estes carros, tanto o cavalo galopante da Ford como os concorrentes, eram modelos de dimensões reduzidas equipados com grandes blocos (big blocks), portanto "carros musculosos".

Mustang Boss 302 1969%3A motor V8 4%2C95 litros de 290 cvDivulgação


No meio da década de 1970, os EUA exigiam maior controle de emissão de poluentes. Num tempo de redução de potência nos automóveis, a segunda geração do Mustang amargou versões minguadas. A década de 80 chegava e mesmo com motores de oito cilindros, não havia esportividade - a Ford até mudou o foco da publicidade na época, onde os destaques ficavam para conforto e equipamentos ao invés de desempenho. Foi o tempo em que o modelo teve carrocerias hatchback, que não fizeram muito sucesso.

Ainda sem recuperar o conceito de esportivo, a terceira geração até que se sustentou bem, com vida longa. Foram 14 anos divididos em vários reestilizações e versões. Os motores oito cilindros aos poucos iam recuperando seu charme.

Ford Mustang 1974%3A carroceria hatch e sem desempenho - a fase negra do 'pony car'Divulgação


Foi em 1994 que a verdadeira essência do Mustang voltou, para até hoje permanecer. Naquele ano a Ford deu ao seu lendário carro apenas motores V6 ou V8, equipando somente carrocerias cupê ou conversível. Saía de cena elementos que descaracterizavam o veículo, como os motores quatro cilindros e a insossa carroceria hatch. Depois, em 2005, a quinta era do Pony Car se identifica mais ainda com o orginal dos anos 60. Fora as versões consolidadas, as séries incrementadas que faziam sucesso outrora (Shelby GT 350 e Boss, por exemplo) estavam disponíveis.

No ano em que o ícone completou 50 anos foi apresenta sua sexta geração, vista na primeira foto já abrilhantado pela série especial. O lançamento foi simultâneo em diversos lugares do mundo. O atual Mustang trouxe de volta o motor de quatro cilindros, porém com tecnologia de vanguarda (o EcoBoost turbo com injeção direta). O V6 e o V8, típicos do modelo, seguem presentes.

Ford Mustang Shelby GT500 Cobra 2013%3A De 1994 em diante%2C o modelo recuperou sua essência esportivaDivulgação


Chegada ao Brasil

E após seis gerações, finalmente o Mustang chegará ao Brasil. O esportivo passará a ser importado oficialmente pela Ford, antes só era possível obtê-lo por meio de compra independente. Como de costume, teremos que amargar um hiato de pelo menos um ano, ano e meio talvez. Isto porque a fabricante vai apresentá-lo primeiro no Salão de São Paulo, em outubro, para depois começar as vendas, o que deve ocorrer somente no segundo semstre de 2015.

O outro senão é o preço. Como dito no início da matéria, o Mustang foi criado para atender um público que demandava carros com bom desempenho a preços acessíveis. Mas não espere isso no Brasil. Partindo de US$ 22.510 nos EUA (exemplar da geração passada pois o modelo 2015 ainda não está disponível) em nosso país a novidade deve ultrapassar a casa dos R$ 200 mil, onde entrarão nesta conta impostos e mais impostos, taxas e mais taxas.

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