Por leandro.eiro

Rio - Além do badalado mercado dos SUVs, o de picapes é um dos pilares da indústria nacional. Sem este segmento, as coisas estariam ainda piores. Tanto que a VW foi guindada a produzir a Amarok, enquanto espera a Fiat finalizar a sua média, esta empurrada pelo sucesso da Strada. Outras estão no rumo: a Nissan reformula a Frontier, a Renault quer uma média e no mesmo pacote e o projeto envolve ainda a Mercedes Benz, que fará uma inédita picape na Argentina. Todas na mesma planta industrial e com partes comuns. A tradição fica resguardada pelas americanas Ford Ranger e Chevrolet S10. Recentemente renovadas e calcadas na força das marcas e da rede, vendem muito.

Na arte sobre o conceito FCC4%2C as linhas báxsicas da futura picape Fiat a ser feita sobre a base do Jeep Renegade%2C em GoianaDivulgação


Mas este conceito aproxima-se de um ponto de ruptura. As médias de hoje tem seus pecados: as americanas são parrudas, mas desconfortáveis. A japonesa L200 é confiável, mas desconfortável. A Nissan Frontier reúne o melhor dos mundos em habitabilidade, performance e confiabilidade, mas está mudando.

A consagrada Hilux esbanja robustez mas vai mudar e deve melhor solução na suspensão traseira, instável demais quando sem carga. A aposta da VW, a Amarok, tem o melhor ‘handling’ de todas e pode ser tocada como carro de passeio, mas deve em robustez. Como fechar uma conta onde a presunção da carga é incompatível com o conforto?

Renault Duster Oroch%2C que chega este anoDivulgação


As soluções apontam no horizonte, com promessas que vão renovar o segmento. Este ainda trafega sobre conceitos do início do século passado, ou seja, chassi e suspensão de molas semi-elipticas e excessiva massa não suspensa, isto é, os pesos (rodas e pneus, cardã etc) que ficam abaixo da suspensão do carro e agem contra a estabilidade e aderência.

Na Fiat FCC, de tamanho maior que as leves e menor que as médias, o conceito começa com estrutura monobloco, que elimina o chassi, e suspensão traseira bi-link, semelhante à do Duster 4X4 e de excelentes resultados no asfalto. O modelo terá ainda a transmissão traseira, na versão 4X4, com eixo cardã ancorado na carroceria, o que elimina, além do chassi, uma grande massa não suspensa, comum às demais picapes.

Monobloco

O modelo irá carregar até uma tonelada de carga. A conceituação da nova picape é confirmada pelo projeto Duster Oroch (abaixo), que apareceu também no Salão de São Paulo e exibe maior comprimento, com benefício para a caçamba e o bom espaço interno do Duster, além das quatro portas. Trata-se de uma cabine dupla esperada por quem conhece o carro.

Nova Toyota Hilux%2C ainda camufladaDivulgação


Com nova suspensão e mecânica do Duster foi desenvolvida totalmente no Brasil e é a primeira picape da Renault no mundo. Ela, entretanto, trafegará em faixa de preço inferior à Fiat FCC4, esta repleta de eletrônica, mimos e facilidades presentes no irmão Jeep Renegade. A nova picape Fiat é montada sobre plataforma do Renegade, que tem longarinas ‘estúpidas’ e muito aço termo formado, e por isso pesa muito. Esta será a base da nova picape: mínima massa não suspensa, sem chassi para reduzir consumo e emissões e o motor 2.0 turbodiesel com câmbio ZF de nove marchas do Renegade Trailhawk.

Outras versões flex e com tração dianteira são esperadas. A nova FCC não será concorrente direta da Duster Oroch. Ela será mais cara, mas com preço inferior às demais médias. Segundo fonte da marca, a dirigibilidade, conforto e eletrônica vão atravessar o conceito da picape média tradicional, ‘nascida das diligências do Velho Oeste’ e entregar um modelo versátil, confortável, equipado e seguro. Um SUV com caçamba.

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