Por tamyres.matos
Brasília - A Comissão Nacional da Verdade vai investigar 44 casos registrados como suicídio durante a ditadura militar. A lista foi feita por peritos, pesquisadores e membros da comissão que apuram casos de mortes, desaparecimentos forçados e tortura.
Segundo o grupo, os laudos necroscópicos e outros registros desses mortos, como fotografias do corpo de vítima, por exemplo, apontam inconsistências que indicam que as versões dos governos do período militar para as mortes podem ser falsas. Das 44 mortes, 18 possuem laudos necroscópicos com fotografia do corpo e/ou do local e serão periciados com novas tecnologias.
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Um dos casos que serão investigados é o de Luiz Eurico Tejera Lisboa, o Ico, morto em São Paulo em 1972 e enterrado sob o nome falso de Nelson Bueno, no cemitério de Perus. Seu corpo foi encontrado com um tiro na cabeça no bairro da Liberdade e o laudo cadavérico e exames de local indicaram na época que foi um suicídio.
Eurico foi o primeiro desaparecido a ter corpo encontrado. Ele sumiu em setembro de 1972 e seu corpo foi localizado no cemitério clandestino de Perus em 1980. A versão do governo militar diz que Eurico, com dois revólveres nas mãos, disparou cinco tiros a esmo antes de embrulhar uma das armas na colcha e disparar contra a cabeça. Segundo a perícia, o revólver, calibre 38, que estava na mão direita, se encontrava num plano distante da mão.