Por julia.amin
Publicado 04/06/2013 00:08 | Atualizado 04/06/2013 00:09

Rio de Janeiro - Índios de várias etnias protestaram nesta segunda-feira em diversos pontos do país contra o Governo Federal, cortando o tráfego em estradas e ocupando a sede do PT no Paraná. Os protestos não foram coordenados e foram motivos pelos diversos problemas enfrentados pelos índios de várias regiões do país, como conflitos de terras e mudanças nas políticas públicas para os povos nativos.

Cerca de 500 índios e camponeses começaram nesta segunda uma passeata para protestar pela morte de um indígena ocorrida na quinta-feira passada em um confronto com a polícia do Mato Grosso do Sul, informaram fontes do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). O coordenador regional do Cimi, Flavio Vicente Machado, explicou à Agência Efe que os manifestantes partiram da cidade de Anhanduí e pretendem percorrer a pé os 60 quilômetros até a cidade de Campo Grande, aonde chegarão quarta-feira.

O índio Osiel Gabriel, da etnia terena, morreu atingido por um tiro quando a Polícia Federal cumpria um mandado de reintegração de posse na fazenda Buriti, na cidade de Sidrolândia, que foi ocupada pelos índios que a reivindicam como terra de seus antepassados. Em outro protesto, um grupo de cerca de 30 índios da etnia kaingang ocupou hoje a sede do PT em Curitiba para protestar pelas mudanças na lei de delimitação de reservas indígenas.

O PT suspendeu suas atividades na sede do partido e assegurou em comunicado que está "aberto ao diálogo" com o chefe indígena Romancil Cretã. Índios de cinco etnias também bloquearam três estradas no Rio Grande do Sul durante cerca de oito horas para protestar contra a medida do Governo Federal que suspendeu processos de demarcações de terras indígenas no estado por tempo indeterminado.

"A situação é muito triste, por isso decidimos nos organizar e mostrar ao governo que ainda há índios no sul do Brasil", disse à Agência Efe Deuclides de Paula, da etnia kaingang, assegurando que amanhã prosseguirão os cortes nas estradas. Na Amazônia, o grupo de índios munduruku, que ocupa há uma semana as obras da hidrelétrica de Belo Monte, anunciou hoje que amanhã terminará seu protesto, uma vez que o governo concordou negociar com eles em Brasília.

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