Por julia.amin
Brasília - Cerca de 140 índios mundurukus estão reunidos com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e representantes de outros órgãos do governo para discutir, entre outros assuntos, a suspensão de empreendimentos energéticos na região amazônica.
Durante oito dias, os mundurukus ocuparam o principal canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), e chegaram a Brasília na manhã desta terça-feira em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), após acordo com o governo para desocupar o local.

A reunião ocorre no auditório do anexo do Palácio do Planalto, e, além de Carvalho, tem como interlocutores do governo representantes da Fundação Nacional de Índio (Funai), dos ministérios da Justiça e do Meio Ambiente e da Secretaria de Saúde Indígena.

Mundurukus se reúnem com o ministro da Secretaria-Geral da PresidênciaAgência Brasil


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O principal pedido dos índios é a suspensão de todos os empreendimentos hidrelétricos na Amazônia até que o processo de consulta prévia aos povos tradicionais, previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) - internalizada pelo país em 2004 - seja regulamentado. Além de Belo Monte, os índios são contra os projetos hidrelétricos nos rios Teles Pires (divisa entre Mato Grosso e o Pará) e Tapajós (PA).
O governo já deixou claro que não pretende voltar atrás na construção de hidrelétricas na região amazônica. A reunião em Brasília foi a forma encontrada pelo governo federal para diminuir a tensão em Belo Monte e negociar a desocupação do canteiro de obras. Inicialmente, os índios exigiam que um representante do Poder Executivo fosse ao local negociar as reivindicações com o grupo.
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Além de discutir a construção de hidrelétricas, o governo deve apresentar respostas a reivindicações feitas pelos índios em janeiro, como questões ligadas à saúde, educação e assistência técnica em áreas indígenas, segundo a Secretaria-Geral.