Boate Kiss: Oito bombeiros são indiciados em inquérito militar

Após tragédia no Rio Grande do Sul que deixou mais de 240 pessoas mortas, bombeiros vão responder por falhas em vistoria

Por O Dia

Rio Grande do Sul - Oito bombeiros, incluindo o comandante regional dos Bombeiros de Santa Maria, tenente-coronel Moisés da Silva Fuchs, foram indiciados no Inquérito Policial Militar (IPM) que apura responsabilidades da corporação no incêndio da boate Kiss, que deixou 242 pessoas mortas.

A conclusão da investigação está nas mãos do comandante-geral da Brigada Militar, coronel Fábio Duarte Fernandes. Ele terá 15 dias para analisar os documentos e enviar o inquérito à Justiça Militar do Rio Grande do Sul.

Foram indiciados ainda os bombeiros Alex da Rocha Camillo, Renan Severo Berleze, Sérgio Roberto Oliveira de Andrades, Marcos Vinicius Lopes Bastide, Gilson Martins Dias e Vagner Guimarães Coelho.

A investigação trata de possíveis falhas em vistorias e emissões de alvarás. O sargento Roberto Flávio da Silveira e Souza é suspeito de participação em empresa que fez obras dentro da boate.

Protestos após libertação

Centenas de pessoas fizeram caminhada no último dia 30, em Santa Maria (RS), em protesto contra a libertação dos sócios da Boate Kiss e integrantes da Banda Gurizada Fandangueira, determinada pela Justiça. Os manifestantes, na maioria parentes das vítimas, não se conformam com a decisão. Duas pessoas seguem internadas após a tragédia.

Fachada da boate Kiss após o incêndioReprodução Internet

Pai de uma das vítimas e diretor da Associação de Familiares, Ildo Toniolo diz que o grupo ficou perplexo. “Vamos buscar reverter esta decisão. O que aconteceu, para nós, foi um crime hediondo”, disse, emocionado.

Os manifestantes levaram faixas e cartazes para a Praça Saldanha Marinho, Centro, e fizeram caminhada até a frente do prédio onde funcionava a Kiss, onde fecharam a quadra. Toniolo contou que o grupo de familiares que foi a Porto Alegre não acreditou quando os desembargadores decidiram libertar os acusados, que estão descansando na casa de familiares. “O que vimos lá foi uma peça de teatro de mau gosto”, afirmou.

O pedido de liberdade provisória foi do advogado Omar Obregon, do vocalista do grupo. A decisão foi tomada por unanimidade entre os três desembargadores da 1ª Câmara Criminal do TJ-RS. O MP vai entrar com um recurso no STJ para tentar reverter a liberdade provisória.

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