Associação: Jornalista é detido em São Paulo por ter vinagre na mochila

Locatelli afirmou que os policiais se negaram a dizer para onde ele seria levado

Por O Dia

São Paulo - A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou na noite desta quinta-feira uma nota repudiando a prisão do jornalista Piero Locatelli, da revista Carta Capital. De acordo com a Abraji, o repórter foi preso por levar vinagre na mochila. A substância alivia os efeitos do gás lacrimogênio, no entanto, a polícia argumenta que vinagre pode ser usado na confecção de bombas.

Locatelli afirmou que os policiais se negaram a dizer para onde ele seria levado. Ele está na delegacia dos Jardins junto com outros manifestantes. Outro jornalista também chegou a ser detido, o fotógrafo Fernando Borges, do Portal Terra, passou 40 minutos com as mãos nas costas e de frente para uma parede, mas já foi liberado.

Concentração do ato público de São PauloReprodução Internet

"A Abraji pede que Piero Locatelli seja posto em liberdade para que possa seguir cobrindo a manifestação e lamenta que a polícia novamente impeça o trabalho da imprensa", encerra a nota.

Detidos

Mesmo antes de manifestantes de diversos grupos liderados pelo Movimento Passe Livre darem início a mais uma passeata contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo, pelo menos 40 pessoas foram presas e ouve confronto entre policias e manifestantes.

A polícia informou que os jovens foram presos por estaream com vinagre (usado para diminuir o ardor nos olhos pelo gás lacrimogêneo), coquetel molotov e objetos suspeitos. Os policiais entraram em confronto com o jovens e inclusive membros da imprensa foram agredidos pelos policiais. Um repórter da revista Carta Capital foi levado pela polícia e pelo menos outros dois, um da TV Folha e outro do jornal Metro, foram agredidos.

Desta vez, o grupo se concentrou para o protesto próximo ao Theatro Municipal, na região central da cidade. O comércio no entorno do teatro começou a fechar antes do início do protesto. A maioria dos bares e restaurantes baixou as portas e até uma faculdade, a Uniesp, suspendeu as provas por conta do ato. A Tropa de Choque da PM se posicionou próximo ao local.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) descartou novamente nesta quinta-feira a possibilidade de reduzir as tarifas de ônibus, trens e Metrô pelos próximos 45 dias no Estado, conforme sugestão feita pelo Ministério Público, por intermédio do promotor de Habitação e Urbanismo, Maurício Lopes.

Na última terça-feira, cerca de 10 mil manifestantes protestaram nas regiões da avenida Paulista e no centro de São Paulo. Segundo a polícia, houve ao menos 40 prisões e três policiais foram feridos. Cinco agências bancárias foram depredadas e vários ônibus foram pichados e quebrados. Os manifestantes acusam os policiais de agressões e prisões indevidas.

Cerca de 2 mil pessoas participaram de cada um dos dois primeiros protestos do MPL contra o preço da passagem de ônibus em São Paulo. No primeiro, na quinta-feira (6), estudantes, trabalhadores e representantes de partidos políticos, caminharam do Vale do Anhangabaú, no centro da cidade, às avenidas 23 de Maio e 9 de Julho, antes de chegar à avenida Paulista.

Na ocasião, a Tropa de Choque dispersou os manifestantes, em sua maioria jovens na faixa dos 20 anos, com bombas de gás lacrimogênio e de efeito moral, dispersando os participantes do protesto em direção à avenida da Consolação. Os manifestantes jogaram cestas de lixo e fizeram barricadas no meio da Paulista.

Para fugir da repressão policial, parte dos manifestantes se escondeu no Shopping Pátio Paulista, no início da avenida. Ao entrar no local, os manifestantes quebraram o para-brisa de um carro que estava exposto no shopping e o letreiro de uma loja. A PM cercou o centro comercial e chegou a atirar gás na porta do estabelecimento.

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Na segunda manifestação, na sexta, o grupo caminhou do Largo da Batata até a avenida Faria Lima, passou pela Eusébio Matoso, em frente ao shopping Eldorado, e entrou na Marginal Pinheiros, em direção à Cidade Universitária, pela faixa local, o que impossibilitou o trânsito dos carros.

Por causa disso, policiais fizeram disparos de bala de borracha com o objetivo de dispersar a multidão. Isso fez com que o grupo entrasse pela avenida Professor Frederico Herman Júnior e ocupasse ambos os lados da via. Os manifestantes foram cercados e a polícia usou bombas de gás lacrimogêneo. Parte do grupo correu enquanto outros manifestantes entraram em novo confronto com os PMs. Depois disso, o grupo seguiu para o Largo da Batata, onde pretendia encerrar a passeata.

Em clima de festa por terem resistido aos tiros de borracha e às bombas de efeito moral – que dispersaram a metade dos jovens –, alguns convenceram outros a aproveitarem o entusiasmo e marcharam mais uma vez até a avenida Paulista.

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