Maio de 68 em versão brasileira

'Ex-guerrilheiros’, Gabeira e Sirkis acham natural os jovens que tomam as ruas não admitirem conversa com partidos políticos

Por O Dia

Rio - A manifestações que tomam as ruas do país estão mais para o Maio de 68 em Paris do que para a luta dos jovens brasileiros contra a ditadura. A opinião é do deputado federal Alfredo Sirkis (PV), que lutou contra o regime militar.

“Aqui, em 68, tínhamos um objetivo claro, que era ‘abaixo a ditadura’. Em Paris, havia uma sensação geral de mal-estar com a sociedade”, diz o deputado, comparando os dois momentos. Ainda que considere que seja “cedo demais” para uma análise, Sirkis acha o movimento de agora “saudável” e não se surpreende com a rejeição à participação de políticos nos protestos: “Os partidos viraram instituições distantes do povo. As ações positivas são feitas por pessoas. Todas as agendas estão nas ruas. Ninguém controla esse movimento”.

Milhares de pessoas protestam pelas ruas do Centro do RioFoto%3A Fernando Souza / Agência O Dia

Fernando Gabeira (PV), que tem um passado de ‘guerrilheiro’ contra a ditadura, acha natural que os partidos políticos não tenham sido convidados para os protestos de agora: “Eles (os jovens) convocaram as manifestações e têm o direito de não querer que outras forças políticas capitalizem isso. Mas não quer dizer que queiram extinguir os partidos.”

Gabeira lembra que o Brasil reproduz agora o que aconteceu em outros países recentemente: “Eles sempre rejeitam a presença de partidos e estão contra a política tal como ela existe hoje.” Mas chama a atenção para a importância de os jovens de agora definirem o que querem. Porque, para chegar lá, terão, provavelmente, que se aliar aos “partidos do bem”.

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