Belo Horizonte foi ontem o principal palco de protestos, na série de manifestações que acontece no país há duas semanas. O ato público, marcado para coincidir com o dia do jogo do Brasil contra o Uruguai, no Mineirão, começou cedo, antes do meio-dia, nas ruas do Centro e migrou para o entorno do estádio. A manifestação, que reuniu 50 mil pessoas, foi marcada por atos de vandalismo, depredação de lojas e saques. O comando da Polícia Militar chegou a pedir que os manifestantes que protestavam pacificamente voltassem para casa.
Por volta das 19h, em cima de um carro de som, o major Gilmar Luciano Santos alertava: “Está acontecendo muita quebradeira. Tem muito bandido na cidade. Voltem para suas casas. Pedimos a vocês, pessoas de bem: não se misturem aos bandalheiros.”
Os vândalos promoveram uma tarde de pânico e na capital mineira, que virou uma praça de guerra nas vias que cercam o Mineirão, como a Avenida Antônio Carlos. Concessionárias de veículos foram apedrejadas. Três ônibus foram destruídos. Motos, caminhões e carros foram incendiados. Dois jovens caíram do Viaduto José de Alencar, e um deles teve múltiplas fraturas. Outro rapaz foi atingido por bala de borracha no olho.
Os manifestantes que agiam de forma pacífica condenavam as ações dos vândalos, que jogavam rojões e até coquetéis molotov contra a polícia. Houve momentos de celebração da cidadania, quando foi estendida uma enorme bandeira do Brasil na Praça Sete, no Centro. O comandante do Policiamento Especializado da PM, coronel Antônio de Carvalho, recebeu flores dos participantes. A Força Nacional foi mobilizada para dar apoio à PM, reforçada pelo Batalhão de Choque e pela Cavalaria: 25 pessoas foram presas. Jornais on-line do Uruguai, da Argentina e da Espanha destacaram os tumultos.
Apesar da redução da tarifa de R$ 2,70 para R$ 2,60, manifestantes pediam para que ela caísse para R$ 2,50 e reivindicam passe livre para os estudantes.