Protestos atingem em cheio imagem de Dilma

Aprovação do governo cai de 57% para 30% em pesquisa que aponta segundo turno

Por O Dia

São Paulo e Brasília - Pesquisa publicada ontem na ‘Folha de S. Paulo’ aponta o primeiro estrago feito na imagem do governo da presidenta Dilma Rousseff depois da onda de protestos. Segundo o Instituto Datafolha, em três semanas, o índice de brasileiros que consideram sua administração “ótima” ou “boa” caiu de 57%, resultado de consulta feita nos dias 6 e 7, para 30%, registrados na pesquisa feita na quinta e sexta-feira. No mesmo período, o índice dos que acham que o governo Dilma é “ruim” ou “péssimo” passou de 9% para 25%.

Segundo a mesma pesquisa, dos pré-candidatos à Presidência, Dilma foi a que mais perdeu apoio e, se a eleição fosse hoje, haveria segundo turno. A presidenta — que desistiu de assistir à final da Copa das Confederações hoje para não ser vaiada, como foi na abertura — ainda lidera, com 30% das intenções de voto, mas este índice era de 51% antes das manifestações. No mesmo período, Marina Silva passou de 16% para 23%; Aécio Neves (PSDB-MG), de 14% para 17%; e Eduardo Campos (PSB-PE), de 6% para 7%.

A queda de 27 pontos percentuais é apresentada pela ‘Folha de S. Paulo’ como o maior tombo, entre uma pesquisa e outra, na avaliação da administração de um presidente desde que Fernando Collor de Mello anunciou o confisco da poupança em 1990 — de março a junho, a popularidade de Collor despencou de 71% para 36%.

‘Sim' ao plebiscito

No início da semana, em resposta ao que ela mesma chamou de ‘voz das ruas’, a presidenta propôs um plebiscito para que a Reforma Política acontecesse. Na quinta e na sexta-feira, o Datafolha detectou que 68% dos brasileiros acharam que Dilma acertou ao sugerir uma consulta popular — para 19%, ela errou. Dos entrevistados, 81% declararam ser a favor das manifestações — 15% foram contra.

O Datafolha também consultou os entrevistados sobre a realização da Copa de 2014 no Brasil: 65% aprovaram, mas em 2008, este índice era de 79%. Quanto à Olimpíada de 2016 no Rio, 64% foram favoráveis. A pesquisa foi feita com 4.717 pessoas, em 196 cidades, e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

‘Presidenta está calma’

A presidenta passou a manhã ontem em reunião com os ministros Paulo Bernardo (Comunicações), Helena Chagas (Comunicação Social), Aloizio Mercadante (Educação) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil). Segundo Paulo Bernardo, “a presidenta está calma”. “Há problemas, mas vamos continuar trabalhando para reverter”, disse o ministro, ao comentar a consulta em que Dilma perdeu mais de 20 pontos percentuais em todas as regiões e em todos os recortes de idade, renda e escolaridade. O presidente do PT, Rui Falcão, aposta na melhora da economia até o fim do ano para recuperar a popularidade.

Senador tucano reage com cautela

A oposição também reagiu ao Datafolha. “As pesquisas indicam uma insatisfação não apenas com relação à presidente Dilma, mas com a classe política como um todo. Cabe a todos nós analisarmos com humildade e responsabilidade esse importante recado”, disse Aécio Neves.

Presidente do DEM, o senador José Agripino (RN) atacou: “Essa avalanche da popularidade é a constatação em número do que as ruas estão mostrando: um governo cheio de equívocos.”

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