Plebiscito para decidir reforma política este ano é descartado na Câmara

PT ficou isolado na defesa da consulta imediata à população sobre questões-chave da reforma política

Por O Dia

Brasília - A consulta à população brasileira para decidir, ainda este ano, pontos da reforma política foi descartada pela maioria dos líderes da Câmara dos Deputados durante uma reunião nesta terça-feira. A decisão de "congelar" o plebiscito foi tomada por políticos da base aliada e da oposição. Apenas o PT defendeu a realização da consulta popular ainda este ano.

Após a decisão, petistas devem buscar assinaturas para tentar seguir em frente com um projeto de decreto legislativo para realizar a consulta popular. No entanto, dificilmente a proposta vai avançar.

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), disse que a proposta do plebiscito com efeitos para a disputa eleitoral de 2014 ficou inviável.

Partiu de Dilma a ideia da realização do plebiscito para a reforma política ainda este anoAgência Brasil

A presidenta Dilma Rousseff foi a responsável por semear a ideia há duas semanas como uma das principais medidas em resposta às manifestações nas ruas do país. Em resposta, vem recebendo muitas críticas da oposição.

Dilma declarou, na última quinta, que acredita na inteligência, sagacidade e esperteza do povo brasileiro para responder às perguntas de um plebiscito sobre a reforma política e decidir o melhor caminho para o país. Ela ressaltou que não duvida da capacidade da população de entender as questões.

“O povo sempre mostrou, ao longo da história, que suas escolhas foram acertadas. Não acho que o povo não seja capaz de aprender porque as perguntas são complicadas”, disse, em discurso na cerimônia de lançamento do Plano Safra Semiárido, em Salvador.

Na terça-feira, o governo federal encaminhou ao Congresso Nacional sugestões de temas para a formulação do plebiscito sobre a reforma política. Os temas sugeridos pela presidenta referem-se à forma de financiamento das campanhas, ao sistema eleitoral, ao fim da suplência de senador, à manutenção das coligações partidárias e ao fim do voto secreto nas votações do Congresso.

Referindo-se às recentes manifestações populares ocorridas no país, que trouxeram demandas em áreas com saúde e educação, Dilma reafirmou ter ouvido claramente a voz das ruas, que pediu a ampliação de direitos. “Aqui as ruas falaram por mais direitos, e aqui quero dizer que esta presidenta ouviu claramente a voz das ruas, tanto porque essa voz é legítima, quanto porque temos uma democracia, e faz parte dela a luta por mais direitos.”

Dilma destacou ainda que esta é uma oportunidade de transformar o país de forma acelerada. “É agora que temos que fazer. Por isso, cada um de nós deve dar o melhor de si.”

No discurso desta quinta, a presidenta Dilma informou que irá anunciar na próxima semana, durante a 16ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, uma vertente do Programa Minha Casa, Minha Vida, voltada para as prefeituras. “Nós, a partir de agora, vamos ter uma política do Minha Casa, Minha Vida genérica para todas as prefeituras, inclusive para as pequenas”.

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