Senadores querem que Brasil dê asilo a ex-agente

Denúncias de espionagem causam revolta e políticos cobram reação enérgica do governo

Por O Dia

Brasília - As denúncias de que o Brasil teve mais de 2 bilhões de e-mails e o serviço de telecomunicações violados pela espionagem americana causaram fortes reações em Brasília. Um grupo de senadores da base e da oposição defendeu ontem que o governo conceda asilo ao ex-agente da CIA, Edward Snowden. Irritada, a presidenta Dilma Rousseff ordenou rigorosa investigação da Anatel, enquanto o embaixador americano Thomas Shannon negava o teor das denúncias, segundo as quais o Brasil é o segundo país mais espionado, só perdendo para os EUA.

Snowden está foragido desde que vazou documentos secretos da CIAReprodução Internet

Considerado traidor da pátria pelo governo americano, Snowden está foragido desde que vazou documentos que revelaram um sistema de monitoramento da CIA a caixa de correios de usuários da internet e telefonemas em todo o mundo, há mais de um mês.

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) chamou o delator de “herói” e lamentou que outros países do continente tenham oferecido asilo, enquanto o Brasil, que foi alvo da espionagem, não o fez. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) apoiou o pleito do colega. “É uma vergonha que alguns países latino-americanos tenham oferecido, e nós fiquemos enrolando esse assunto”, afirmou Requião. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) foi mais duro e exigiu explicações diretamente ao presidente Barack Obama. “O presidente Obama tem que ser questionado. Se as explicações não forem satisfatórias, Dilma tem que cancelar seu compromisso oficial em outubro”, advertiu Dias.

Presidenta Dilma exige explicações

A presidenta Dilma Rousseff condenou qualquer interferência estrangeira no país. “A posição do Brasil nesta questão é muito clara e firme. Não concordamos de maneira alguma com interferência desta ordem, não só no Brasil, como em qualquer outro país”. A presidenta informou que o governo encaminhou pedido de explicações ao embaixador do Brasil nos Estados Unidos e acionou a Embaixada Americana em Brasília. Também vai levar o debate à União Internacional de Telecomunicações, para garantir a segurança cibernética das telecomunicações e das redes sociais.

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