Por bferreira

No xadrez político que o PMDB do Rio de Janeiro se viu obrigado a jogar para salvar sua pele na eleição do ano que vem, já está valendo negociar com desafetos. O presidente regional do partido, Jorge Picciani, por exemplo, está negociando dar, no amor, a liderança da bancada do PMDB na Assembleia Legislativa (Alerj) ao deputado Domingos Brazão. Sim, é o mesmo Brazão que está há alguns meses recolhendo assinaturas para a criação do Partido Liberal Brasileiro (PLB) e tem transformado a vida de Cabral na Alerj num inferno pior do que o calvário enfrentado pelos peregrinos nas filas do metrô.

Bernardo (esq.) é o líder da bancada na Alerj%2C cargo que poderá ser ocupado por Brazão a partir de agostoArte%3A O Dia

A ideia é tentar ‘acalmar’ Brazão, trazê-lo para bem pertinho de Cabral e evitar que eventuais derrotas do governo na Alerj ajudem a piorar o desgaste causado pelos protestos contra a administração do governador. A mágoa de Brazão com Cabral começou quando um acordo de alternância no poder na Alerj com o atual presidente, Paulo Melo (PMDB), não foi honrado.

Se vingar o pacto oferecido por Picciani — coordenador da pré-campanha de Luiz Fernando Pezão —, Brazão substituiria Bernardo Rossi, deputado do PMDB que até O DIA lhe informar sobre a negociação, ontem à noite, não sabia que seu cargo estava no telhado. O plano para o jovem aliado é transformá-lo em vice-líder do governo na Alerj. Cauteloso e surpreso, Bernardo preferiu declinar da oportunidade de comentar o assunto.

Brazão, que está fora do país de férias e ainda não discutiu a proposta com os deputados que lhe são fiéis, comentou o acordo por sua assessoria. Sem se comprometer, naturalmente: “Sou um homem do partido e estou ouvindo o que o PMDB está dizendo. Ainda não há uma decisão tomada. Agora, a hora é de buscar soluções para garantir a governabilidade.” Sei.


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