Por bferreira

Rio - O presidente regional do PT, Jorge Florêncio, deu ontem a si mesmo prazo de 15 dias para pacificar o partido no Rio e fazer uma reunião em que a data de saída do governo Sérgio Cabral seja resolvida, por unanimidade, com um índice suportável de tumulto. Florêncio adianta que vai trabalhar para a novela acabar “no máximo até o fim do ano”, quando espera poder entregar as duas secretarias do PT no governo — Ambiente e Assistência Social e Direitos Humanos — e ficar livre para cuidar da pré-candidatura do senador Lindbergh Farias ao governo.

Mas, diante da crise que o governo Cabral atravessa, Florêncio tem esperança — ainda que remota — de conseguir convencer o PMDB a apoiar Lindbergh, retirando a pré-candidatura de Luiz Fernando Pezão e indicando o vice.

“Penso em dar dois ou três meses para ver se ainda dá para corrermos juntos”, disse o dirigente ontem, no melhor estilo a-esperança-é-a-última-que-morre. A primeira, como sabemos, é a paciência. “Não vou marcar nada sem ter certeza” é a frase que Florêncio repete desde domingo, quando teve que desmarcar em cima da hora reunião que o PT faria ontem para discutir o melhor momento para sair do governo.

Entre quinta-feira e domingo, Lindbergh atuou nos bastidores para que as diversas correntes do PT chegassem à reunião marcada para ontem dispostas a definir a saída do governo e, pressionado pela executiva nacional, passou a atuar no sentido contrário, conseguindo derrubar a reunião. Às 22h de domingo, havia políticos do PT com mandato que não sabiam que a reunião havia sido cancelada.

Enquanto isso, o vice-presidente nacional do PT, Alberto Cantalice, fez questão de explicar que a decisão de cancelar a reunião foi tomada em conjunto. E garantiu: “Por incrível que possa parecer, nunca estivemos tão unidos.”Ele e Florêncio explicaram que a saída do PT do governo independe da data que Cabral escolher para deixar o cargo para Pezão.

E esse 2014 que não chega.

Líder lembra que a nacional é quem manda

O líder do PT na Alerj, André Ceciliano, atua nos bastidores para não deixar ninguém esquecer que sempre valerá o que a executiva nacional decidir para o Rio. “O PT aqui não vai tomar nenhuma decisão descasada com a nacional”, disse Ceciliano ontem.

Outra missão do líder é lembrar a todos que, depois de tantos anos, abandonar Cabral justamente num momento de crise pega muito mal. Além do mais, segundo ele, “não é bom para a Dilma ter um governador fraco”.

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