Por paulo.gomes

São Paulo - Abalado com a tragédia que matou cinco membros de sua família esta semana na Brasilândia, zona norte de São Paulo, o tenente da Polícia Militar César Bovo desistiu de ir até a casa em que foram assassinados a tiro sua mãe Benedita de Oliveira Bovo, de 65, a irmã e cabo da PM Andréia Bovo Pesseghini, a tia Bernardete Oliveira Silva, de 56, o cunhado Luiz Marcelo Pesseghini (sargento da Rota) e o sobrinho Marcelo Pesseghini, de 13, apontado pela polícia como o autor da chacina que teria terminado em suicídio.

Militares eram considerados excelentes e o garoto sem problemas na escola ou na famíliaReprodução Internet

A PM, que desde o dia do crime monta guarda em frente à casa da família, se preparava para deixar o endereço na quarta-feira, mas teve de passar mais uma noite “preservando o local do crime”. Os policiais haviam marcado para às 14 horas a entrega das chaves da casa ao irmão de Andreia, mas ao final da tarde ele ligou para a polícia e para a amiga da família, Rosemary Teixeira, de 50, para avisar que “não tinha condições de entrar na casa depois do crime”.

Rose, como é chamada, é a vizinha mais chegada do casal. É a ela que os parentes das vítimas ligam para pedir informação e ajuda. “O César estava muito triste ao telefone”, afirmou. “Por isso ele cogita enviar um amigo para buscar as chaves”. Um grupo de PMs, substituído a cada três horas, deve fazer a entrega nesta quinta-feira.

Também ficou a cargo do tenente levar até a cidade de Rio Claro, no interior de São Paulo, o cachorro da família, um labrador preto de dois anos. Na quarta-feira à tarde, Sebastião Costa, tio de Andréia, foi até a residência para alimentar o cão. Sem permissão para entrar no quintal, ele jogou a ração por entre os vãos do portão. “O cachorro late bastante, mas desde ontem ele emudeceu”, conta Josi Felix, de 39, que trabalha em uma loja de roupas atrás da casa em que o crime aconteceu.

Almoço no shopping

Com lágrimas nos olhos, Rose lembra de uma das últimas vezes em que viu o menino com o casal. “Os três foram almoçar no shopping do último domingo [dia do crime]. Acho que saíram de casa por volta das 11 horas. Eles estavam sempre juntos.”

Josi se lembra bem de Marcelo, que era reservado, mas sempre atencioso. “Ele era tímido, empinava pipa no quintal da casa. Quando ele vinha aqui, não ficava de conversa fiada. Respondia o que lhe perguntavam”.

As informações são de Wanderley Preite Sobrinho

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