Por helio.almeida
Linha azul dos trens da CPTMDivulgação

São Paulo - Um executivo da Siemens afirmou que José Serra (PSDB), então governador de São Paulo em 2008, sugeriu um acordo com a concorrente espanhola CAF, para a licitação da entrega de trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), informou a "Folha de São Paulo" desta quinta-feira. O tucano nega as acusações.

A mensagem que segundo o jornal relata uma conversa que o então diretor da Siemens, Nelson Branco Marchetti, diz ter mantido com o ex-governador e com o então secretário de Transportes Metropolitanos do governo do PSDB, José Luiz Portella, durante um congresso na Holanda.

Segundo a reportagem, a sugestão de Serra está em um e-mail que faz parte da documentação entregue pela Siemens ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), ligado ao Ministério da Justiça, que apura a suspeita de formação de cartel para a venda e manutenção de trens do Metrô e da CPTM em São Paulo.

O motivo, de acordo com a publicação, era a preocupação de Serra em evitar que algum impasse fosse parar na Justiça e assim atrasasse a entrega dos trens. A reportagem afirma que a Siemens fez a segunda melhor proposta na licitação, e ameaçava entrar na Justiça contra a concorrente espanhola CAF, que havia vencido.

De acordo com o e-mail, diz o jornal, Serra avisou que cancelaria a licitação se a CAF fosse desqualificada na briga judicial, mas que ele e o secretário considerariam outras soluções para "atenuar de alguma forma o apertado cronograma de entrega". Uma das soluções seria a CAF subcontratar a Siemens na execução de 30% do contrato. O acordo não ocorreu e a Siemens não obteve sucesso na Justiça.

Serra negou a denúncia e disse que o processo licitatório para a aquisição dos trens foi conduzido pelo Banco Mundial (Bird) e que a Siemens já havia recorrido judicialmente na data do e-mail. O ex-secretário Portella negou as irregularidades e afirmou ao jornal que as acusações "são absurdas".

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