Por julia.amin

São Paulo - A mulher do músico Champignon, Claudia Campos, foi amparada ao deixar o cemitério Memorial Necrópole Ecumênica, em Santos (litoral paulista), nesta terça-feira. Grávida de cinco meses , Campos não acompanhou o enterro do corpo de Champignon, que cometeu suicidío no apartamento em que o casal vivia em São Paulo.

Campos já tinha passado pelo cemitério durante madrugada, quando o corpo era velado. Na ocasião, pediu para que o acesso ao público fosse fechado. O velório aconteceu das 19h de segunda até às 15h de terça-feira no segundo andar do cemitério, que é vertical. O caixão foi fechado sob aplausos, coberto por uma bandeira do Brasil e levado ao oitavo andar para sepultamento.

Claudia Campos (de chapéu)%2C mulher de Champignon%2C é amparada após enterro Ag News


Champignon oficializou a relação com Claudia Campos em 1º de julho. Nas redes sociais, Claudia costumava divulgar diversas imagens em momentos de intimidade e romance com o ex-integrante do Charlie Brown Jr. Claudia contou à polícia que teve uma discussão com o marido em um restaurante na noite de domingo, mas assegurou que não houve agressão física e disse que ele "era muito carinhoso".

Luiz Carlos Leão Duarte Junior, como era batizado Champignon, nasceu em Santos, onde o Charlie Brown Jr. se formou, e tinha 35 anos.

De acordo com a delegada Milena Suegama, do 89º Distrito Policial, ele deu dois tiros em seu apartamento na madrugada de segunda-feira. O primeiro no chão, para testar a arma; o outro, na lateral direita da cabeça.

Autoridades encontraram a arma nas mãos de Champignon. Não havia drogas, tranquilizantes ou antidepressivos no apartamento, que estava arrumado.

Gesto agressivo

O síndico do prédio onde morava o músico Champignon disse que o ex-integrante da banda Charlie Brown Jr. fez gestos agressivos no elevador do condomínio, no Morumbi, em São Paulo. Perguntado que gestos seriam, Gino Castro preferiu não comentar. 

"Tem, tem um gesto, mas eu prefiro não comentar. Vou deixar por conta da doutora (delegada)", disse Castro. Segundo o síndico, Champignon e a mulher Cláudia Campos chegaram à portaria do condomínio à 0h05. Eles voltavam de um jantar em um restaurante. Champignon e Cláudia passaram pelo hall caminhando lado a lado, sem dar as mãos e aparentemente sem conversar.

Informações indicam que no elevador, minutos antes de morrer, Champignon teria feito um gesto com os dedos como se estivesse cortando o pescoço. O síndico se recusou a comentar as imagens. Por volta das 4h da madrugada, o corpo do baixista foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal).

Claudia deu entrada no hospital às 2h32%2C e lá permaneceu por mais de quatro horasReprodução Internet


"Vou entregar as imagens para a delegada. Eu vi todas, mas não vou falar nada. Elas mostram todo o percurso dele, da hora que chegou até entrar no apartamento", disse, antes de chegar no 89º DP, onde o caso está sendo investigado. Para o síndico, Champignon era um cara "tranquilo" que nunca deu "problemas" no prédio.

O delegado-geral, Maurício Blazeck, que apura a morte do músico Champignon, de 35 anos, contou nesta segunda-feira que informações preliminares dão conta que o ex-integrante da banda passava por dificuldades financeiras, e que esse teria sido o motivo da discussão no restaurante onde estava com a mulher antes de ser encontrado morto por ela, com um tiro no rosto, no apartamento do casal.

'Críticas artísticas incomodavam'

A delegada Milena Suegama contou que a esposa, Claudia Campos, foi muito clara: "Ela disse que ele não faz uso de drogas nem de medicamentos controlados. (...) As críticas artísticas estavam o deixando incomodado. Ele demonstrava frustração”, disse. Cláudia, que devido à gravidez, foi levada em estado de choque para o Hospital Metropolitano às 2h32 da madrugada desta terça-feira, e lá permaneceu por mais de quatro horas. O centro médico informou que ela não teve complicações.

Morte de Chorão

A morte do músico acontece seis meses após o falecimento de Chorão, vocalista da banda com quem teve diversas brigas no passado. Ao saber da fatalidade, em março deste ano, Champigon lamentou a perda do parceiro. "A gente brigou algumas vezes na vida, mas graças a Deus restabelecemos a amizade", declarou.

Corpo do baixista foi encaminhado ao IML por volta das 4h.Ag. News


Em abril, Champignon se lançou como vocalista do grupo A Banca, formado por integrantes do Charlie Brown Jr. Na ocasião, ele comentou sobre a falta de Chorão: "Se a gente ficar em casa, a gente morre também. A gente tem que ir para a estrada, a gente precisa disso porque sem a banda não existe vida."

Desentendimentos

A trajetória do Charlie Brown Jr. foi marcada por desentendimentos entre os integrantes. A mais grave ocorreu em 2005, quando Champignon, Marcão, Renato e Pelado deixaram o grupo alegando divergências musicais.


Em 2011, Champignon e o guitarrista Marcão voltaram a integrar o Charlie Brown Jr. Mas isso não significaria o fim das polêmicas. Em 2012, durante show em Apucarana (PR), Chorão deu uma bronca pública no baixista, dizendo que ele deveria "ficar muito grato" por ter sido aceito de volta após tê-lo acusado de roubar dinheiro do grupo.

Após ouvir a bronca calado, Champignon deixou o palco sob aplausos e gritos de "arregou". Dois dias depois, a banda divulgou um vídeo no qual Chorão se desculpou pelo ocorrido, dizendo que o problema estava resolvido. Em seguida, o baixista disse estar arrependido sobre o que falou do vocalista.

Você pode gostar