Por julia.amin

Brasília - A ex-senadora Marina Silva adiou para sábado a decisão sobre o seu futuro político após a derrota da Rede Sustentabilidade no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ela disse, em coletiva nesta sexta-feira, que tem “uma longa noite e um dia inteiro” para decidir e afirmou que “vive um grande desafio pessoal”. "Já me deparei com situações muito complexas na minha vida. A primeira foi quando perdi minha mãe, a segunda foi o processo de saída do PT e a terceira está sendo essa decisão que tenho de tomar até amanhã”, afirmou Marina, que vem sendo cobiçada por vários partidos.

Marina Silva recebeu proposta de três partidos Agência Brasil

Amanhã vence o prazo para os candidatos em 2014 se filiarem aos partidos a que vão concorrer. Várias siglas ofereceram abrigo a Marina, entre eles o PPS, o PTB, o PDT e o PEN. A ex-senadora não só ocupa a segunda posição na preferência do eleitorado na disputa ao Palácio do Planalto como também possui um capital político de 20 milhões de voto da última eleição, quando ficou em terceiro lugar.

O partido liderado pelo deputado Roberto Freire (PPS-SP) teria oferecido uma "carta de alforria", que seria o compromisso de não buscar na Justiça o mandato de quem deixar o partido após as eleições de 2014. Nesta sexta-feira, Freire reiterou o convite: "Reafirmo convite do PPS para que junto com a Rede se integre conosco para se candidatar e disputar 2014!".

Já o PTB alegou “razão histórica” para fazer o convite a Marina. Segundo o secretário nacional da sigla, Campos Machado, a ex-senadora tem um programa político muito próximo da legenda. “Para nós, a Marina é o Getúlio Vargas de saia”, disse Machado. O PDT, por sua vez, cogitou até o desembarque do governo da presidente Dilma Rousseff, onde ocupa o Ministério do Trabalho, para poder abrigar Marina Silva.

Após a rejeição à Rede no TSE, Marina deu declarações em que reitera a importância do partido. Disse que não quer apenas o registro, mas que a sigla seja um partido político para o País. “O registro é questão de tempo. A Rede provou que temos representação social em todo o País. Não temos o registro legal, mas temos o registro moral”, afirmou a ex-senadora.

O único dos sete ministros do TSE a votar favoravelmente à Rede foi Gilmar Mendes, que substituiu Dias Toffoli. Ele questionou a invalidação de 95 mil assinaturas nos cartórios “sem justificação expressa” e defendeu atualização da Justiça e informatização dos cartórios. Existe, segundo ele, uma situação de abuso que justifica o reconhecimento das assinaturas invalidadas. “Não se trata de descumprir a legislação, mas de aplicar a legislação”, afirmou em seu voto.

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