Sem-teto e policiais entram em confronto na Câmara de São Paulo

Grupo de trabalhadores sem teto foi impedido de entrar no prédio; terça deve ser de protestos em diversas cidades

Por O Dia

São Paulo - Cerca de 400 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto tentaram invadir a Câmara Municipal de São Paulo, no centro da capital, na tarde desta terça-feira, durante protesto. Eles forçaram os tapumes ao redor do prédio, mas foram impedidos por policiais, que usaram gás de pimenta. Após o confronto, manifestantes seguiram em direção à prefeitura.

Trabalhadores sem-teto entraram em confronto com policiais militares e guardas municipaisMarcelo Camargo / Agência Brasil

O protesto provocou a interdição da Rua Maria Paula, na altura da Rua Francisca Miquelina, às 14h15, de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Após a confusão, 12 representes dos sem-teto foram recebidos pelo presidente da Câmara Municipal, José Américo (PT). O grupo entregou documento com oito reivindicações, pedindo, principalmente, que o plano diretor da cidade seja votado. “O plano diretor foi entregue há três semanas na Câmara e até agora não temos nem data para as audiências públicas. Viemos aqui para cobrar do presidente da Câmara um posicionamento sobre o plano diretor”, disse Boulos.

Confusão começou quando os manifestantes tentaram entrar no prédioMarcelo Camargo / Agência Brasil

Mais protestos

Este é uma das manifestações que acontecem na cidade nesta terça. Um ato em defesa da educação organizado por estudantes da Universidade de São Paulo (USP) deve sair do Largo da Batata, em Pinheiros, na zona oeste, às 17h.

Os alunos, que estão em greve e mantêm a reitoria ocupada desde 1º de outubro, pretendem seguir em direção ao Palácio dos Bandeirantes, onde querem ser recebidos pelo governador Geraldo Alckmin. Entre as reivindicações estão eleições diretas para reitor, votação paritária entre as três categorias (alunos, funcionários e professores) e o fim da lista tríplice, que confere ao governador a escolha do reitor entre os três mais votados.

Este deve ser o primeiro grande protesto em São Paulo desde que o governo do Estado permitiu que a Polícia Militar voltasse a usar balas de borracha contra os manifestantes. Questionada se pretende reforçar o efetivo policial, a PM respondeu ao iG que esta informação "é estratégica". "Adiantamos que será suficiente para o acompanhamento", resumiu.

Manifestantes e internautas que adotam a tática Black Bloc planejam sair às ruas do Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Fortaleza, Belo Horizonte, João Pessoa, Curitiba e Brasília. Denominado "um milhão pela educação", o ato reivindica "melhoria no sistema educacional público".

No Rio de Janeiro, a manifestação começará na região da Igreja da Candelária, no centro da capital fluminense. Como o último protesto atraiu mais de 20 mil pessoas, a Polícia Militar do Estado admitiu que planeja aumentar o efetivo de policiais. Mas não quis informar quantos PMs deverão ser deslocados para o ato. Ao menos 90 mil internautas confirmaram que vão ao protesto pelo Facebook.

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