São Paulo - Os estudantes da Unicamp decidiram nessa quarta-feira pelo fim da ocupação da reitoria da universidade, invadida no dia 3 de outubro. Apesar disso, a saída foi marcada para a próxima segunda-feira, quando a ocupação terá completado 18 dias. Os estudantes pediram alguns dias para limparem o prédio e prepararem um ato que irá marcar a desocupação.
A decisão saiu após quase três horas de discussão em assembleia realizada na quarta-feira, no prédio da Engenharia Básica, que reuniu cerca de 500 estudantes. Diferentemente do que ocorreu nas outras assembleias, quando as votações eram unânimes, foi preciso contar os votos. Foram 159 votos a favor da manutenção do movimento contra 231 que queriam a saída dos alunos do prédio. Ainda foram contabilizadas 80 abstenções.
Para os líderes da ocupação, o movimento sai fortalecido e vitorioso. A invasão aconteceu após o anúncio feito pela Unicamp de que a Polícia Militar passaria a atuar dentro dos campi da universidade, aceitando oferta do governador do Estado Geraldo Alckmin.
O desfecho já era previsto. Após reunião de negociação com representantes da universidade realizada na última sexta-feira, os estudantes haviam sinalizado pela desocupação. Na assembleia de quarta, a maioria que tomou a palavra se mostrou favorável à saída do prédio da reitoria.
Outros universitários defendiam que a reitoria ocupada era a única garantia de conseguir avançar na pauta de reivindicações. “A desocupação interrompe o processo e desmobiliza os estudantes. Temos que deixar a reitoria contra a parede”, disse um jovem, arrancando aplausos de parte dos estudantes.
O esgotamento da pauta de reivindicações também foi discutido antes de colocar o futuro do movimento em votação. “Acho difícil ir mais longe na negociação. A gente vai ficar ocupando por mais tempo para mudar algumas palavras da carta? Antes eu achava que isso era bom, mas agora repensei. Às vezes o maior avanço é parar com a ocupação do que pôr tudo a perder”, discursou outro universitário.
Lígia Carrasco, membro da comissão de negociação dos estudantes, que esteve presente nas reuniões com a reitoria, chegou a pedir uma nova rodada de tratativas. “Sempre tivemos avanços nas negociações então é preciso de mais uma reunião e mais uma assembleia para então decidirmos se saímos ou ficamos”.
Votação
Após a decisão da maioria dos estudantes de interromper a ocupação na reitoria, a proposta inicial discutida foi a de sair do prédio hoje ou amanhã, mas alguns estudantes pediram mais tempo para que a limpeza do local invadido seja concluída e um ato possa ser preparado. A maioria optou pela segunda-feira, ao meio-dia. Os alunos do Instituto de Artes (IA) irão produzir uma atividade para marcar a saída da reitoria.
“Vamos construir um grande ato. Eles (do Instituto de Artes) irão fazer um ato lúdico para mostrar para toda a universidade que quando a gente luta de forma organizada, a gente tem vitória”, afirmou Diana Nascimento, coordenadora do DCE. Segundo ela, o indicativo de greve e a mobilização dos estudantes continuam, apesar da saída da reitoria. “Analisamos alguns pontos fundamentais para essa decisão (da desocupação), como o fato de a Unicamp se comprometer em não firmar convênio com a Polícia Militar. Conseguimos avançar nas nossas negociações, mas vamos continuar mobilizados para acompanhar o cumprimento das propostas.”
Unicamp
Representantes dos universitários devem se reunir ainda nesta quinta-feira com representantes da administração da Unicamp. Em nota, a universidade informou que tomou ciência do resultado da assembleia e que aguarda o contato dos alunos para acertar os detalhes operacionais da desocupação. A reitoria da Unicamp ainda reiterou, no comunicado enviado, que mantém-se aberta ao diálogo sobre demandas de todos os segmentos da instituição.