Por clarissa.sardenberg

Rio Grande do Sul - O Ministério Público Estadual (MPE) começou nesta quinta-feira a terceira fase da Operação Leite Compen$ado. A operação combate a adição de água oxigenada no leite, no Rio Grande do Sul. São três mandados de busca e apreensão nas cidades de Nova Candelária e Três de Maio, no Noroeste do estado. O MPE já havia revelado o esquema de alteração do leite com água, ureia e formol.

Segundo o MPE, Airton Jacó Reidel, de 31 anos,seria o líder do esquema. Ele é proprietário de uma empresa que transporta leite na cidade de Três de Maio. Os cúmplices seriam a esposa Rejane Dias, e os sobrinhos Roberto Carlos Baumgarten e Laércio Rodrigo Baumgarten.

A adulteração da bebida seria feita após a coleta do leite com produtores rurais, em um galpão próximo ao Centro da cidade. Após isso, o leite seria entregue à indústria.

As substâncias são adicionadas ao leite para disfarçar más condições de conservação e transporte. Além disso, a água oxigenada estabiliza a bebida, impedindo que ela azede e aumenta o volume do produto, pois quando entra em contato com o leite, se tranforma em água.

O peróxido de hidrogênio, conhecido por água oxigenada, reduz o valor nutricional do leite. Há riscos sérios para quem ingere a bebida adulterada, desde fortes dores no estômago até a morte, dependendo da quantidade da substância no produto.

Operação Leite Compen$ado revela esquema de quadrilha que adicionava água oxigenada ao leite Divulgação Ministério Público

Escutas Telefônicas

Mauro Rockenbach, responsável pela investigação, disse ter escutas telefônicas que revelam o esquema, citando até as quantidades de substâncias adicionadas ao leite.

A Justiça negou a prisão temporária dos supeitos, solicitada pelo MPE e disse ter entendido que uma vez que os equipamentos foram apreendidos, não há como continuar adulterando a bebida.

De acordo com o promotor, o fato das indústrias terem rejeitado as cargas reduz o risco ao consumidor.

A indústria dona das marcas Parmalat e Bom Gosto, a LBR, teve lotes do produto retirados do mercado durante a primeira fase da operação, em maio deste ano. A Italac e a BRFoods assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para aumentar o rigor na fiscalização dos produtos.

A BRF continuou a receber o leite contaminado com peróxido de hidrogênio, já a Laticínios Malmann suspendeu o recebimento da carga, segundo o MPE.

Fiscais queimaram, toneladas de leite em pó onde formol foi detectado, na primeira fase da operaçãoDivulgação Ministério Público

Operação Leite COmpen$ado

A operação começou em maio deste ano e resultou em 19 processos criminais. Dos 14 detidos, 10 continuam presos. No grupo está o vereador de Horizontina Larri Lauri Jappe (PDT).

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