Por bferreira

Rio - A expansão do crédito e o aumento da renda dos mais pobres na última década levaram bens de consumo para as favelas brasileiras. Porém as diferenças de renda e, principalmente, de escolaridade em relação às famílias que vivem no asfalto, continuam gritantes. Este quadro é mostrado nos dados do Censo 2010 sobre aglomerados subnormais (nome usado para designar favelas, invasões e outros assentamentos irregulares), divulgado ontem pelo IBGE.

Enquanto apenas 1,6% da população das áreas favelizadas tinha curso superior em 2010 (ano em que foram colhidas as informações), nas demais partes das cidades do país, esse percentual médio era de 14,7%. Nos rendimentos, as diferenças entre esses dois mundos também são grandes. No primeiro, 31,6% dos domicílios tinham renda per capita de até meio salário mínimo e, no asfalto, 13,8% das famílias estavam nessa faixa. Já os lares com ganhos maiores de cinco salários mínimos por pessoa eram 0,9% nas favelas e 11,2%, no restante das cidades.

Por outro lado, os dados mostram que a posse de bens, como TV e geladeira, nas residências desses dois mundos é praticamente equivalente. Em todo o país, 95,1% dos lares das favelas tinham geladeiras em 2010 e, no asfalto, eram 97,9%. Para TVs, a diferença era de: 96,7% a 98,2%.

“A menor desigualdade na posse de bens de consumo se deve ao aumento da renda, do salário mínimo e também ao crédito. O grande problema nas favelas ainda é a baixa escolaridade. Isso mostra a fragilidade do ensino público fundamental e médio, que dificulta o acesso dessa população à universidade”, explica o economista da FGV, Fernando de Holanda Barbosa Filho.

Pesquisa compara tempo para chegar ao local de trabalho

Os dados do IBGE mostram também um fato curioso. Ao contrário do resto do país, a população das favelas da capital fluminense gasta menos tempo para ir trabalhar do que os habitantes do asfalto. Segundo a pesquisa, 21,9% dos cariocas que vivem nessas comunidades levam mais de uma hora por dia para pegar no batente, enquanto que, no restante da cidade, esse percentual é de 26,3%. Na mesma comparação, na média do Brasil, os números são 19,7% e 19,0%.

Isso ocorre porque as favelas da cidade estão próximas aos locais de trabalho. A doméstica Maria Perla Bezerra, de 32 anos, mora na Rocinha e trabalha em Ipanema. “Apesar de ser perto, levo uma hora”, reclamou.

Colaborou Mozer Lopes

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