Por helio.almeida

São Paulo - O esquema de fraude na cobrança do Imposto sobre Serviços (ISS) se mostrou maior do que a polícia imaginava de início. Novas escutas sobre o grupo de funcionários da Prefeitura de São Paulo indicam que eles também cometeram irregularidades nas cobranças do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Quatro auditores foram presos, mas já deixaram a prisão temporária, e serão denunciados pela prática de diversos crimes.

Sindicato que representa empresas do ramo imobiliário nega envolvimento com suspeitosReprodução Internet

Nas gravações, os auditores Carlos Augusto Di Lallo Amaral e Luís Alexandre Magalhães falam sobre fraude e sobre a investigação feita pela Ministério Público de São Paulo e pela Controladoria Geral da prefeitura. "O IPTU não pegaram", afirmou Di Lallo, em gravação divulgada na edição deste domingo no programa "Fantástico", da TV Globo, no golpe para a pessoa pagar menos e beneficiar devedores da dívida ativa.

A escuta mostra que a cobrança de propina não começou em 2006, como indicavam as investigações. Luís Alexandre afirmou ter relatórios desde 2002. Luís Alexandre, que na conversa se mostrava nervoso por uma suposta traição dentro da quadrilha, respondeu que denunciaria o esquema. "Eu faço pegar. A gente fez um monte de coisa no IPTU", disse.

O ex-subsecretário da Receita Municipal, Ronilson Bezerra Rodrigues se defende das acusações. Neste momento, o nome do secretário de Governo de Fernando Haddad e vereador licenciado Antonio Donato (PT), aparece mais uma vez nos áudios. Donato nega qualquer relação com a quadrilha e afirma que a investigação existe porque a atual gestão, da qual faz parte, criou uma controladoria para combater a corrupção.

Os promotores suspeitam que o Sindicato da Habitação (Secovi), que representa empresas do ramo imobiliário, estava dando alertas para os fiscais. O Secovi negou ter contato com o Eduardo Barcellos, e não mandou ninguém para falar em nome da entidade. O sindicato diz ainda que aguarda a conclusão das investigações para apurar a responsabilidade criminosa de quem falou em nome do Secovi sem autorização. Também afirma que se colocou à disposição para auxiliar nas investigações.

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