São Borja (RS) - Os restos mortais de João Goulart, o Jango, serão exumados hoje de manhã no cemitério Jardim da Paz, em São Borja (RS), por técnicos brasileiros e estrangeiros que buscam indícios de que o ex-presidente foi assassinado. Jango presidiu o Brasil entre 7 de setembro de 1961 e 1º de abril de 1964, quando foi deposto por um golpe militar. A versão oficial é a de que ele foi vítima de ataque cardíaco em 6 de dezembro de 1976, aos 57 anos, na Argentina. Mas a suspeita de envenenamento sempre pairou sobre sua morte no exílio.
O jazigo das famílias Goulart e Brizola — o ex-governador do Rio casou-se com Neuza Goulart, irmã de Jango — foi cercado ontem por peritos que confirmaram a localização exata do caixão do ex-presidente. À tarde, chegaram a São Borja os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, que vão acompanhar a exumação. Parentes do ex-presidente vão estar presentes, à exceção de sua viúva, Maria Tereza Goulart.
Em seguida, os restos mortais seguirão para Brasília, onde deverá chegar amanhã de manhã. Na capital federal, será realizado com a presença da presidenta Dilma Rousseff um funeral com honras de chefe de Estado, o que foi negado a Jango pela ditadura.
Os restos mortais seguirão para Brasília em um caixão especial, que vai manter as condições necessárias à realização de exames de DNA — para confirmar a identidade do político — e toxicológicos — para identificar possíveis substâncias venenosas. Os exames serão feitos em dois laboratórios estrangeiros, cujos nomes não serão divulgados. A suspeita é a de que Jango tenha sido morto durante a Operação Condor, montada por órgãos de repressão de ditaduras sulamericanas entre 1976 e 1980.
Depois da exumação, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) e o Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul decidirão se serão ouvidos novos depoimentos. As investigações só deverão ser concluídas no fim do ano que vem.