Por helio.almeida

São Paulo - O Ministério Público de São Paulo investiga se o Metrô SP incentivou a combinação de preços de uma concorrência de R$ 780 milhões, em um contrato envolvendo as empresas alemã Siemens e a francesa Alstom. A empresa alemã, que admitiu fazer parte do esquema de corrupção, entregou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) os documentos nos quais comprovariam que o governo de São Paulo de Geraldo Alckmin (PSDB) sabia e deu aval à irregularidade, que envolveria 18 empresas.

Linha azul dos trens da CPTMDivulgação

No fim de novembro, reportagem do jornal O Estado de S. Paulo mostrou que o ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer declarou ter “documentos que provam a existência de um forte esquema de corrupção no estado de São Paulo” durante os governos tucanos. No texto, o ex-funcionário disse que o arranjo “tinha como objetivo principal o abastecimento do caixa 2 do PSDB e do DEM”. A vencedora da licitação foi a francesa Alstom. O contrato foi assinado em julho de 2008.

Em um e-mail do dia 27 de setembro de 2007, o ex-executivo da Siemens, Nelson Branco Marchetti, diz a um superior que "o Metrô SP entende que a Siemens e a Alstom deveriam formar uma parceria para a base de um consórcio devido à complexidade do projeto e do prazo crítico (cerca de 2 anos e meio)". A mensagem diz ainda: "O cliente (no caso, o Metrô) está solicitando interoperacionalidade entre as três linhas, o que basicamente bloqueia a possibilidade de dividir as três linhas entre a Siemens e a Alstom. Estamos atuando em conjunto para convencer o cliente a retirar essa solicitação".

O secretário-chefe da Casa Civil do Estado de São Paulo%2C Edson Aparecido%2C negou que o governo tenha conhecimento sobre cartel Agência Brasil

A licitação não previa consórcio de empresas. É por isso que o promotor que investiga o caso, Marcelo Milani, acredita que o termo "parceria" se refere a formação de cartel. Segundo ele, mesmo que fosse possível montar um consórcio, o governo não poderia estimular as participantes. O Metrô afirma que que nunca atuou para incentivar qualquer parceria. O ex-governador José Serra e o atual, Alckmin, negaram que também tenham incentivado consórcio. A Siemens e a Alstom informaram que têm colaborado com as investigações.

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