Por nara.boechat

São Paulo - O músico uruguaio Miguel Menchaca afirmou ter sido vítima de xenofobia na estação Trianon Masp do metrô de São Paulo no início do mês e o caso esta sendo analisado pela justiça paulista, revelou nesta segunda-feira o próprio artista. Miguel estava esperando na fila para entrar na plataforma por volta das 18h quando um guarda permitiu a entrada de uma mulher pelo acesso preferencial reservado a pessoas idosas, gestantes ou com necessidades especiais. "Fui perguntar educadamente se eu poderia usar aquele acesso também, já que outra pessoa havia usado. Então ele começou a gritar grosseiramente para mim 'Shut up! Shut up! (Cale a boca)", contou Miguel.

Em seguida, o músico questionou a postura do guarda, alegando que queria saber apenas como funcionavam as regras da estação. "Foi então que ele começou a gritar para mim 'Volte para o seu país' repetidamente", contou Miguel, que registrou ocorrência uma semana depois, em 17 de dezembro na delegacia de crimes raciais e de intolerância (Decradi).

Músico Miguel Menchaca afirma ter sido alvo de ataque xenofóbico em São PauloReprodução Internet

Junto com ele estava o Delegado da Conferência Nacional sobre Migrações e Refúgio, o peruano Ives Berger, que está ajudando no processo burocrático para registrar o crime. Ao buscar ajuda com outro funcionário da estação, o cantor disse ter sido surpreendido ao descobrir que o supervisor daquele turno era o próprio funcionário que havia gritado com Miguel. "Nós questionamos se ele tinha noção de que o que tinha feito era crime e ele tentou se justificar dizendo que aquilo era comum em São Paulo, que eles faziam isso até com os nordestinos", comentou Berger, indignado com a justificativa.

Segundo ele, que também dirige um portal voltado para a comunidade latina no Brasil, casos como o de Miguel têm sido cada vez mais comuns. "Ele me contou que isso já havia acontecido antes. Esse tipo de reação tem crescido no estado e muitos estrangeiros não sabem que há uma lei ou como denunciar este tipo de crime", conta Berger, que sente estranhamento dos imigrantes com a recepção em São Paulo. "Estas notícias não chegam em países fora do Brasil. Os latinoamericanos e os europeus têm a visão de que aqui é o paraíso", criticou.

Em nota, o Metrô de São Paulo diz que "está apurando o ocorrido que após a investigação serão tomadas as medidas necessárias". Segundo Ives, Miguel tem uma reunião marcada com o presidente do metrô no próximo dia 30. Neste mês, a Justiça de São Paulo condenou o Shopping Cidade Jardim a pagar uma indenização de R$ 6,7 mil ao também músico cubano Pedro Damián Bandera Izquierdo como indenização por danos morais por um ato, segundo a vítima, de racismo em 2010 por seguranças do lugar.

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