Por clarissa.sardenberg

São Paulo - Cerca de 15 ativistas foram trancados dentro do do Parque Augusta, na manhã deste domingo. Eles culpam seguranças particulares contratados pela construtora Cyrela. Os militantes estavam no parque durante a madrugada quando os portões na esquinas das ruas Caio Prado e Augusta, região central de São Paulo, foram acorrentados.

Na última sexta-feira, os seguranças já haviam tentando trancar os portões por duas vezes e foram impedidos pela Polícia Militar, pois, segundo os ativistas -que preferiram não se identificar pois quatro militantes já estão sendo processados pela Cyrela por esbulho possessório -, a escritura pública do terreno prevê um termo de compromisso que exige que o bosque tombado pelo Conresp que existe no local seja "conservado e preservado" com uma "servidão de passagem", que autoriza o uso público.

Ativistas são trancados dentro do do Parque AugustaJulianna Granjeia/iG São Paulo

Após tentativa de novo acordo com os seguranças, sem sucesso, a Polícia Militar foi chamada na tarde de hoje sob a alegação de cárcere privado. A PM orientou aos ativistas que ficaram do lado de fora, sem conseguir entrar no parque, a se dirigirem ao 78º DP para registro da ocorrência.

Na semana passada, o prefeito Fernando Haddad (PT) sancionou a lei que cria o parque de 25 mil metros quadrados, na esquina das ruas Augusta, Caio Prado e Marquês de Paranaguá. Segundo o decreto, "o referido parque terá como referência atividades relacionadas à prática de atividade física, educação ambiental e preservação da memória paulistana".

O texto, contudo, não informa quando o parque será criado, já que o terreno ainda não foi desapropriado pela prefeitura. De acordo com os ativistas, porém, a sanção da lei revoga a propriedade e mantém apenas a posse pela construtora. A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Cyrela, mas não conseguiu encontrar ninguém para comentar as acusações.

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