Por tamyres.matos

Amazonas - A descoberta de restos mortais pela Polícia Militar, com ajuda de um cão labrador, na reserva indígena Tenharim-Marmelo, no Amazonas, que podem ser dos três homens que desapareceram em trecho da BR-230 (Rodovia Transamazônica) no fim do ano passado, pode acirrar os conflitos na região. O desaparecimento dos três gerou revolta na população das cidades de Humaitá, Apuí e no distrito de Santo Antônio do Matupi.

Cinco indígenas da etnia Tenharim foram presos na quinta-feira, durante operação que teve participação de 400 homens da Polícia Federal, do Exército, da Força Nacional e da Polícia Rodoviária Federal. Eles foram levados à Penitenciária de Médio Porte (Pandinha) em Porto Velho e dividem uma cela.

Segundo a PM, os indígenas presos pelo sumiço de Luciano Freire, Aldeney Salvador e Stef Pinheiro apontaram a localização dos corpos, que foram enviado ao Instituto Médico Legal (IML) de Porto Velho, onde passarão por exames para identificação.

O policiamento foi reforçado na região por medo de que se repitam os protestos registrados em 25 de dezembro. Naquele dia, moradores promoveram protestos por causa do desaparecimento e chegaram a atear fogo a carros, barcos e nas sedes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e antigas instalações da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), em Humaitá.

Após os ataques, 143 indígenas foram abrigados no 54º Batalhão de Infantaria de Selva (BIS), em Humaitá. A Justiça atendeu a ação do Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM), e os índios retornaram às aldeias seis dias depois, com escolta do Exército.

Os moradores reclamam ainda da cobrança de pedágio pelos índios em trecho da Transamazônica. Os Tenharim suspenderam a cobrança. Mas a divulgação de que eles estariam planejando voltar a cobrar motivou novos protestos. Após negociação com representantes da Secretaria-Geral da Presidência da República, ficou definido que o pedágio continuaria suspenso.

Você pode gostar