Por cadu.bruno

Rio - O Carnaval começa neste sábado e leva milhões de brasileiros às ruas durante quatro dias de festa. Para curtir a folia com segurança, é preciso se prevenir contra doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), como a aids, alguns tipos de hepatites e a sífilis. Usar a camisinha em todas as relações sexuais é a melhor forma de se proteger, além de evitar uma gravidez não planejada.

Conseguir um preservativo é tarefas das mais fáceis, já que ele é distribuído gratuitamente em toda a rede pública de saúde e em algumas escolas parceiras do projeto Saúde e Prevenção nas Escolas.

Na primeira remessa deste ano, foram enviados 104 milhões de unidades para atender a demanda em todo o país até o mês de março. Em 2013, o Ministério da Saúde distribuiu 610
milhões de preservativos durante todo o ano. Causador da aids, o vírus HIV está presente no sangue, sêmen, secreção vaginal e leite materno. A doença pode ser transmitida de várias formas:

- Sexo sem camisinha (vaginal ou anal)

- De mãe infectada para o filho durante a gestação, o parto ou a amamentação

- Uso da mesma seringa ou agulha contaminada por mais de uma pessoa

- Transfusão de sangue contaminado com o HIV

- Instrumentos que furam ou cortam, não esterilizados.

Por isso, para evitar ser contaminado é preciso usar a camisinha em todas as relações sexuais, desde o começo, e não compartilhar seringa, agulha e demais objetos cortantes com outras pessoas.

Camisinha é item obrigatório para foliões curtirem o CarnavalDivulgação

O preservativo é a maneira mais fácil e mais eficiente de impedir o contato com o sangue, esperma e secreção vaginal, evitando a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis (DST) e da aids. Para guardá-lo, prefira locais frios e secos. Deixá-la por muito tempo na carteira, por exemplo, pode danificá-la.

Confira as recomendações sobre o uso correto da camisinha:

- Verifique a data de validade na embalagem

- Abra a embalagem com cuidado - nunca com os dentes - para não furar a camisinha

- Só use lubrificantes à base de água, evite vaselina e outros lubrificantes que contenham óleo

- Coloque-a somente quando o pênis estiver ereto

- Desenrole o preservativo até a base do pênis, mas antes aperte a ponta para retirar todo o ar, para que não rasgue durante o ato sexual

- Após a ejaculação, retire-a fechando com a mão a abertura para evitar que o esperma vaze da camisinha.

- Jogue o preservativo usado no lixo, pois ele não é reutilizável.

Além do HIV, quem não usa camisinha corre risco de contrair doenças como herpes, sífilis e clamídia. Essas infecções podem trazer sérios problemas de saúde e aumentam em até 18
vezes a chance de contrair o HIV. Os medicamentos para o controle da aids são chamados antirretrovirais. O uso constante desses remédios diminuem a multiplicação do vírus e evita o enfraquecimento do organismo. Por isso, é muito importante que o HIV seja detectado e iniciado o acompanhamento o quanto antes.

Nos anos 90, os soropositivos eram vítimas de muito preconceito. Ainda havia poucas informações sobre a forma de contágio e transmissão da doença. Gays e usuários de drogas eram marginalizados como "grupos de risco" e sofriam discriminação. Com o avanço das pesquisas científicas, foi possível desvendar mitos como a transmissão pelo ar, por beijos, por
aperto de mão, entre outros.

Ministério da Saúde estende campanha

A prevenção às doenças sexualmente transmissíveis e aids durante o Carnaval é tão importante que o Ministério da Saúde resolveu estender a campanha aos grandes eventos e festas populares, como São João e a Copa do Mundo. Com o slogan “Se tem festa, festaço ou festinha, tem que ter camisinha”, a mobilização, dirigida à população em geral na faixa etária
de 15 a 49 anos, foi lançada na última terça-feira pelo ministro Arthur Chioro, em Brasília.

Dois vídeos são usados para conscientizar a população da importância do uso do preservativo. O primeiro mostra imagens com os principais eventos que irão acontecer nas mais diversas regiões do Brasil, como a Copa do Mundo, o Carnaval, festas juninas, parada gay, entre outros. O segundo é sobre o personagem Juca, que apresenta situações divertidas para todos os tipos de festas e ocasiões, com enfoque no uso da camisinha.

Além disso, a campanha alerta para a necessidade de se fazer o teste para HIV. Em cidades que atraem grande quantidade de pessoas no carnaval, como Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Olinda serão estabelecidas parcerias com prefeituras para instalação de postos de testagem rápida. O resultado do exame fica pronto em cerca de 30 minutos, com apenas uma gota de sangue.

Brasil tem 35 mil casos de aids por ano

O Brasil registra, em média, 35 mil casos novos de aids ao ano. De acordo com estimativas do Ministério da Saúde, aproximadamente 718 mil pessoas vivam com o vírus HIV, sendo que 150 mil desconhecem sua situação. Atualmente, cerca de 340 mil pessoas estão em tratamento com medicamentos antirretrovirais oferecidos pelo SUS. O coeficiente de mortalidade por aids vem caindo no Brasil nos últimos 10 anos.

Em 2003, era de 6,4 casos por cada 100 mil habitantes, caindo para 5,5 por 100 mil habitantes em 2012. Do total de óbitos por aids no Brasil, até o ano passado, 190.215 (71,6%) ocorreram entre homens e 75.371 (28,4%) entre mulheres. O investimento federal no combate à aids e às demais doenças sexualmente transmissíveis chegou a R$ 1,2 bilhão em 2013, dos quais cerca de R$ 770 milhões custeiam a oferta dos medicamentos.

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