Por bferreira

Brasília - Os deputados do PMDB decidiram ontem, em reunião a portas fechadas que durou três horas, que não votarão mais de acordo com a orientação do governo. Além disso, assinaram nota de apoio ao líder do partido na Câmara, Eduardo Cunha, e propondo à direção partidária que reavalie “a qualidade da aliança com o PT”.

A nota dos deputados representa um desafio ao presidente do PMDB, Valdir Raupp, e ao vice-presidente da República, Michel Temer. No dia anterior, após reunião com a presidenta Dilma Rousseff, eles anunciaram a manutenção da aliança nacional com o PT.

Além disso, o documento amplia o enfrentamento com Dilma. Os deputados criticam a presidenta pela demora na liberação de recursos de emendas parlamentares, pela atraso na reforma ministerial e pela recusa de ceder a peemedebistas da Câmara pelo menos um ministério.

A reunião de ontem foi o primeiro passo para antecipar a convocação da Convenção Nacional, marcada para junho, e discutir o rompimento com o PT. No encontro, deputados já começaram a se articular para conseguir apoio de diretórios estaduais e fazer a Convenção no mês que vem. Para a convocação, é necessária a adesão de pelo menos 11 diretórios regionais do partido.

BLOCÃO DERROTA GOVERNO

A mudança de postura anunciada pelo PMDB impôs na noite de ontem uma derrota ao governo. Foi aprovado requerimento para que parlamentares acompanhem no exterior investigações sobre corrupção que citam a Petrobras. A proposta teve votos favoráveis de 267 parlamentares, 28 contrários e 15 se abstiveram.

Entre os que votaram a favor estavam deputados de partidos da base, como o PMDB, o PR, o PTB e o PSC. Eles integram o Blocão, grupo suprapartidário articulado pelo líder peemedebista Eduardo Cunha e que não segue as orientações das direções partidárias.

Leonardo Picciani descarta apoio à reeleição de Dilma pelo PMDB do Rio

O deputado Leonardo Picciani, vice-líder do PMDB na Câmara, disse que, no Rio, o apoio à reeleição da presidenta Dilma Rousseff está “absolutamente descartado”. Ele sinalizou que a legenda deve fazer campanha para a candidatura do senador Aécio Neves (PSDB-MG).

“O desejo de apoiar Aécio no Rio está crescendo. A economia não vai bem e sentimos que ele é um candidato preparado. A renovação de poder é fundamental na democracia”, indicou Picciani, após a reunião da bancada. Ele propôs a antecipação da reunião da executiva nacional, onde deverá ser discutido o rompimento com o PT.

Na reunião, o deputado também sinalizou que seu partido não participará mais das reuniões da base aliada. “Agora, a bancada se reunirá para discutir tema a tema, de acordo com o que for melhor para o Brasil”, explicou o deputado.

No Chile, presidenta diz que PMDB só lhe dá alegrias

No Chile, onde acompanhou a posse de Michelle Bachelet na presidência da República, Dilma Rousseff minimizou a crise com o PMDB e o risco de rompimento da aliança com seu principal aliado no Congresso. “Olha aqui, eu vou falar uma coisa: o PMDB só me dá alegrias”. afirmou ela.
Em Brasília, o vice-presidente da República, Michel Temer, reforçou a afirmação de Dilma.

Segundo ele, a presidenta tem razões para estar feliz com o partido, que “apoia o governo e ajuda o governo”. “A presidente foi muito explícita na frase que formalizou”, disse Temer, que é presidente licenciado do PMDB. Amanhã, em Brasília, ele se reúne com o presidente peemedebista, Valdir Raupp, e o do PT, Rui Falcão.

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