Começa em São Paulo a quarta etapa do julgamento do massacre do Carandiru

Doze policiais militares do Gate serão julgados pela morte de dez presos e pela tentativa de homicídio de outros três

Por O Dia

São Paulo - A quarta etapa do julgamento do massacre do Carandiru começa nesta segunda-feira no fórum da Barra Funda, zona oeste de São Paulo. Ao todo, 12 policiais militares do Grupo de Operações Táticas Especiais (Gate) serão julgados pela morte de dez presos e tentativa de homicídio de mais três que ocupavam o quarto andar (quinto pavimento) do Carandiru.

O julgamento será presidido pelo juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo e a expectativa é de que ele dure de cinco a seis dias. Essa é a quarta etapa do julgamento do Massacre do Carandiru, que foi desmembrado de acordo com o pavimento, por envolver uma grande quantidade de vítimas e réus.

O massacre aconteceu em 2 de outubro de 1992. Na ocasião, 111 detentos foram mortos e 87 ficaram feridos após a polícia entrar no presídio para reprimir uma rebelião que acontecia no Pavilhão 9 do complexo penitenciário da zona norte.

Na primeira etapa do julgamento, que aconteceu há 11 meses, a justiça condenou 23 policiais a 156 anos de prisão cada pela morte de 13 presos. Quatro meses depois, outros 25 policiais foram condenados a 624 anos de reclusão cada pelo homicídio de 52 detentos, que estavam no terceiro pavimento do Pavilhão 9.

Tribunal onde houve parte do julgamento dos PMs que responderam pelo massacre no CarandiruDivulgação

No mês passado, durante o julgamento de 15 policiais pelo homicídio de oito dos presos e pela tentativa de homicídio de outros dois, o defensor dos réus, o advogado Celso Vendramini, reclamou da atuação do juiz, dizendo que os promotores tinham mais privilégios por parte dos magistrados, e abandonou o júri. O julgamento foi remarcado para o dia 31 deste mês.

Apesar de ter recebido multa de 70 salários mínimos (R$ 50.680) pelo adiamento do processo, Vendramini voltará à defesa dos policiais. Se ele abandonar o julgamento novamente, os réus serão representados por um defensor público, estipulou o juiz.

Julgamento

O julgamento terá início com o sorteio de sete pessoas que vão compor o Conselho de Sentença. Em seguida serão ouvidas as cinco testemunhas de acusação, as seis testemunhas de defesa e os réus.

Segundo os promotores Márcio Friggi de Carvalho e Eduardo Olavo Canto Neto, três das testemunhas de acusação são sobreviventes do massacre. Também serão ouvidos o ex-diretor da Divisão de Segurança e Disciplina da Casa de Detenção Moacir dos Santos e o perito criminal Osvaldo Negrini, que já foram ouvidos nas etapas anteriores. Os promotores dizem que houve massacre no Carandiru, sem possibilidade de defesa das vítimas. “A tese sempre foi a mesma. Esperamos o mesmo resultado [de condenações nos julgamentos anteriores]”, disse Friggi.

De acordo com os promotores, os policiais serão julgados pela morte de nove presos por disparos de arma de fogo e pela morte de um preso por arma branca. “Os outros três, que sobreviveram, também foram atingidos por disparos de armas de fogo”, disse Canto Neto. Para ele, a condenação dos policiais significa “uma afirmação dos novos rumos, um não da sociedade à violência dos policiais”.

Os promotores disseram esperar que o julgamento, dessa vez, ocorra sem intercorrências. “Esperamos que, dessa vez, não ocorra o que aconteceu no júri anterior. O abandono de plenário não tem amparo legal. A situação por ele [Vendramini] criada não correspondeu à realidade. Ele entrou formalmente com procedimento de exceção de suspeição e questionou a imparcialidade do juiz, o que ele terá que provar”, de acordo com Friggi.

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