Petrobras demite o diretor que fez relatório com ‘falhas’

Nestor Cerveró foi acusado pela presidenta Dilma de omitir informações sobre refinaria

Por O Dia

Brasília - O governo decidiu ontem exonerar o diretor financeiro da BR Distribuidora, Nestor Cerveró, acusado pela presidenta da República, Dilma Rousseff, de omitir informações sobre o contrato de compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, em 2006. A decisão foi tomada na reunião de ontem pelo Conselho de Administração da BR, que é presidido pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. O cargo será exercido cumulativamente pelo presidente da empresa, José Lima de Andrade Neto.

Cerveró se tornou pivô de uma crise entre o Planalto e a Petrobras esta semana, após a divulgação, pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, de nota que acusa o executivo de apresentar um relatório “falho” sobre a compra da refinaria que hoje está inativa. Em 2006, a Petrobras comprou 50% da unidade da belga Astra Oil, por US$ 360 milhões. Dois anos depois, após uma arbitragem internacional, foi obrigada a comprar o restante por US$ 820 milhões.

Ao todo, a empresa pagou US$ 1,18 bilhão por uma refinaria que havia sido adquirida pela Astra, em 2005, por US$ 42,5 milhões. A operação está sendo investigada pelo Tribunal de Contas da União e pelo Ministério Público e vem sendo usada como munição pela oposição ao governo.

A demissão de Cerveró foi pedida no plenário do Congresso pelo pré-candidato à presidência da República Aécio Neves (PSDB-MG). Cerveró está no exterior e não foi encontrado.

A reunião da BR ocorreu no fim da tarde de ontem, após encontro do Conselho de Administração da Petrobras — os dois conselhos têm praticamente a mesma composição, mudando apenas os representantes dos empregados. Segundo fontes próximas, o assunto não foi tratado pelos conselheiros da estatal.

Ontem, a Justiça negou habeas corpus ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, preso na quinta-feira pela Polícia Federal. Costa é suspeito de envolvimento com doleiros investigados pela Operação Lava Jato, que apura lavagem de dinheiro.

Oposição se articula para criar CPI e investigar o caso

Partidos de oposição marcaram para terça-feira uma reunião em Brasília para discutir a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a compra da Refinaria Pasdena pela Petrobras. Umas das questões a investigar é porque a estatal pagou 1,18 bilhão de dólares por uma unidade vendida um ano antes por 42 milhões de dólares.

A proposta de CPI foi feita na quinta-feira pelo senador Aécio Neves, provável candidato do PSDB à presidência da República, em discurso no Senado. Ele disse que vai pedir apoio a parlamentares de partidos da base aliada do governo que integram o Blocão, um grupo de descontentes com a presidenta Dilma Rousseff.

O objetivo de Aécio é que a comissão seja mista, formada por representantes da Câmara e do Senado. Mas, para conseguir instalá-la, vai precisar da assinatura de pelo menos 27 senadores e de 171 deputados.

Conselheiros saem sem falar nada

A reunião do Conselho de Administração da Petrobras, realizada em São Paulo, terminou por volta das 16h30. E, ao final, não foi divulgada nenhuma informação oficial, nem os conselheiros comentaram o que foi discutido no encontro e nem conversaram com os jornalistas. Havia expectativa que eles se pronunciassem sobre a compra da refinaria de Pasadena.

Participaram da reunião a presidenta da estatal, Graça Foster, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega. A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, que estava em Brasília, acompanhou o encontro por meio de vídeo-conferência.

A Petrobras informou que a reunião do Conselho era ordinária e estava marcada com antecedência. A assessoria da empresa alegou que não sabia quais os assuntos que foram discutidos.

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