São Paulo tem marchas a favor e contra ditadura no fim de semana

Centro da capital terá reedição da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que nega o golpe militar e mistura discurso anticomunista com críticas ao governo

Por O Dia

São Paulo - Se os livros associam a Marcha da Família com Deus pela Liberdade a um capítulo sombrio da história do Brasil, um grupo tentará neste sábado, a partir das 15h, revivê-la nas ruas de São Paulo, Rio de Janeiro e outras cidades. Em 19 de março de 1964, exatamente 50 anos depois, milhares de pessoas lotaram o centro de São Paulo em oposição ao comício do presidente João Goulart na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, que defendeu a ampliação das reformas sociais. Contrariada com esse discurso, parte da elite e da classe média paulistana, com apoio de setores da Igreja Católica, reagiu manifestando-se contra o que entendia ser uma “ameaça comunista”.

Manifestantes se reúnem na Praça da RepúblicaReprodução Vídeo


A história é conhecida: João Goulart foi deposto, os militares assumiram o poder e instauraram uma ditadura de 21 anos no Brasil, com milhares de torturados, mortos e desaparecidos políticos. De volta a 2014, o inimigo não é mais o comunismo – até mesmo porque as divergências entre Estados Unidos e Rússia hoje passam ao largo das questões ideológicas. O organizador da marcha, Bruno Toscano, explica que a manifestação será “contra o clientelismo e a politicagem que imperam neste governo”.

Apesar disso, ele próprio admite que um dos objetivos da mobilização é “comemorar os 50 anos da contrarrevolução de 64, e mostrar a insatisfação do povo brasileiro com relação ao descaso do governo”. Toscano afirma que João Goulart não foi derrubado. E acusa historiadores e jornalistas, entre outros, de deturparem a realidade. “O país não teve um golpe militar, isto é um dos maiores erros que um jornalista pautado na imparcialidade da notícia pode falar”, respondeu à reportagem por e-mail.

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