Por bferreira

Rio - Ainda faltam cinco meses e meio para a eleição e há uma Copa do Mundo no meio do caminho, mas alguns analistas já estão apostando as fichas no fracasso da presidenta Dilma Rousseff. Estão entusiasmados com os resultados das últimas pesquisas de opinião que mostraram queda das intenções de voto em Dilma. No Vox Populi, ela caiu de 41% em fevereiro para 40% agora em abril, dentro da margem de erro de 2,1 pontos percentuais. No Ibope, a perda foi maior, de 40% em março para 37% em abril. Além disso, baixou também o índice de aprovação de seu governo, de 51% para 47%. A desaprovação subiu para 48%. Os principais adversários da presidenta, Aécio Neves e Eduardo Campos, não avançaram, Mas, mesmo assim, tem muita gente soltando fogos, na certeza de que Dilma não conseguirá se reeleger. Acreditam que seu desgaste só tende a aumentar. Será?

Vamos aos fatos. A presidenta vive, sem dúvida, momento bastante difícil. Recuperou-se depois dos protestos de rua de junho do ano passado, mas foi atingida este ano por vários eventos negativos. À polêmica sobre a compra da refinaria de Pasadena somou-se o escândalo envolvendo o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Em outra frente, o deputado petista André Vargas teve de renunciar à vice-presidência da Câmara e corre o risco de perder o mandato pelas ligações com o doleiro Alberto Youssef. Pesa também a crise do setor elétrico, com ameaça de racionamento e aumento inevitável das contas de luz. A fonte maior de desgaste, porém, é o aumento da inflação, por pressão dos preços dos alimentos.

Não está fácil, portanto, a vida de Dilma Rousseff. Mas não há mal que sempre dure. Depois da Copa, e principalmente a partir de agosto, a inflação deve cair e o governo vai reagir. Entrará em campo João Santana, o experiente marqueteiro do PT. Ele terá tempo de sobra no rádio e na TV para vender o peixe dos programas sociais, do baixíssimo nível de desemprego e do salto de qualidade de vida da nova classe média. Santana costuma eleger seus clientes.

Os adversários sabem que o jogo só começará para valer com o início oficial da campanha, mas não podem ficar de braços cruzados. Até agora, não conseguiram tirar proveito das dificuldades de Dilma. A queda nas intenções de voto da presidenta tem aumentado o número de indecisos, e não o dos simpatizantes de Aécio e Campos. Os dois continuam patinando. Aécio Neves se sai um pouco melhor, com 15% dos votos. Além de pertencer ao PSDB, partido que já ocupou a Presidência da República e tem força no Sudeste, cola sua candidatura no nome do avô Tancredo Neves. Na semana passada, um terço do programa de TV de seu partido foi dedicado à memória de Tancredo. É uma boa receita, mas não suficiente. Se quiser crescer nas pesquisas a ponto de ir ao segundo turno, não basta atacar Dilma. Aécio terá de apresentar propostas concretas de governo.

As chances de Eduardo Campos parecem mais remotas. A ousadia de sair candidato no lugar de Marina Silva está lhe custando caro. Até agora, não houve a sonhada transferência de votos. Apesar da força eleitoral da carismática ex-ministra, o brasileiro não vota em vice. E, no caso do PSB, o titular da chapa não empolga. Na verdade, Campos é desconhecido e não tem realizações para mostrar. As realizações, por sinal, são o grande trunfo de Dilma. E podem lhe garantir a reeleição.

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