SP: Funcionário público acusa hospital público de confundir AVC com reumatismo

'Dois anos depois e minha mãe ainda não anda, nunca mais consegui conversar com ela e minha família se desestruturou'

Por O Dia

São Paulo - "Uma enfermeira me disse que não podia cuidar bem da minha cunhada porque precisava olhar sete pacientes ao mesmo tempo." O desabafo de uma enfermeira que trabalha no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (Iamspe) foi feita em meio aos pedidos de satisfação do servidor Cleomir Castelini, que testemunhou um "abandono geral" quando foi visitar a cunhada em meados do mês passado.

Castelini se lembra do alvoroço que causou ao encontrar a cunhada sem atendimento adequado. "Em poucos minutos começou a chegar enfermeira, médica, chefe de enfermagem. Só faltou vir a diretoria para justificar", conta ele. "Fiquei chocado como o que vi e escutei: uma enfermeira me disse que cuida de sete pacientes de uma só vez e me perguntou como poderia cuidar bem da minha cunhada. É lamentável, cruel e desumano."

Quando não conseguem vagas, os pacientes aguardam por horas nos corredores. "Estou na fila para colocação de uma prótese no quadril. Eu não suporto mais a dor, trabalho 62 horas semanais e não consigo a cirurgia", reclama o também servidor Gensoir de Souza Costa. "É descontada mensalidade no pagamento e quando precisamos usar não temos assistência."

Caso mais grave relata a servidora Elaine de Fátima Moreira, que diz ter perdido a mãe no ano passado em razão da demora no atendimento. "Levei 16 horas para conseguir internar", conta ela. "Deixaram minha mãe literalmente morrer. Lutei, mas não consegui salvá-la. É humilhante."

Diante de tamanha demanda, os erros de diagnósticos também são objeto de denúncia. Lis Brandão conta que os médicos do Servidor Estadual confundiram um Acidente Vascular Cerebral (AVC) com reumatismo. "Minha mãe foi a esse hospital com dormência no lado direito do corpo e dificuldade de coordenação. Após uma tomografia, o médico diagnosticou reumatismo, receitou um medicamento e fiquei tranquila", recorda.

Quinze dias depois, o quadro se agravou. "Minha mãe amanheceu paralisada totalmente, sem falar e nem reconhecer o marido e filhas. Voltamos ao mesmo hospital e a neurologista que atendeu perguntou se não havíamos percebido nenhum sinal de AVC. Relatei sobre a consulta anterior e ela pediu o exame."

Ao analisá-lo, a especialista apontou uma mancha que evidenciava a ocorrência de um AVC anterior de menor intensidade. "Respondi que o médico diagnosticou reumatismo, e ela disse que 'infelizmente o médico que atendeu sua mãe não soube interpretar o exame, era claro o AVC'." O resultado, diz ela, é que "dois anos depois e minha mãe ainda não anda, nunca mais consegui conversar com ela e minha família se desestruturou."

Em razão das inúmeras reportagens do iG relatando problemas no Hospital do Servidor, sua assessoria de imprensa não responde à reportagem alegando "falta de ética".

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