Aécio Neves e Eduardo Campos, amigos 'pero no mucho'

PSDB e PSB fizeram direitinho a lição de casa ao prometer simplificar o sistema tributário e reduzir impostos, música aos ouvidos dos empresários

Por O Dia

Rio - Diante da nata do empresariado nacional reunida pelo empresário e apresentador João Dória Jr no Fórum de Comandatuba, na Bahia, Aécio Neves e Eduardo Campos se esforçaram ontem para mostrar a afinidade que, em tese, unirá seus partidos no segundo turno contra o PT. Ao mesmo tempo, o debate entre os dois candidatos ao Planalto – a presidenta Dilma Rousseff, convidada, não pôde comparecer – também deixou visíveis as diferenças entre os dois. A começar pelo estilo.

PSDB e PSB fizeram direitinho a lição de casa ao prometer simplificar o sistema tributário e reduzir impostos, música aos ouvidos dos empresários. Além do óbvio, Aécio mostrou mais agressividade contra Dilma. E arrancou aplausos ao defender o fim da reeleição (com aumento do mandato presidencial para cinco anos), o corte pela metade do número dos ministérios e a autorização para a Justiça condenar menores de 18 anos na reincidência de crimes como latrocínio e o aumento da pena de adultos que usam crianças para cometer crimes. A palavra mais usada pelo tucano foi gestão, na defesa de suas ações no governo de Minas.

“Ter bons gerentes é obrigatório, todos nós temos. Essa não é uma hora para gerentes, é uma hora para líderes”, reagiu Eduardo Campos, ao lado da vice, Marina Silva. Ele prometeu mais transparência nas contas públicas, autonomia para o Banco Central e redução do peso do setor público na economia. A presença da ambientalista na chapa e a proximidade que ambos já tiveram com o PT têm sido vistas como desvantagens para Eduardo na competição com Aécio para atrair o voto antipetista. A ex-ministra do Meio Ambiente defendeu o investimento na tecnologia para que a produção rural não dependa de mais desmatamento.

Defensor dos ruralistas e adversário histórico de Marina, o deputado Ronaldo Caiado (DEM), aliado de Aécio, aproveitou. “Você viu como ele (Eduardo) fica amarrado quando ela está perto? Ela se acha mais importante do que o Código Florestal, que o Brasil demorou 11 anos para aprovar, e isso deixa o agronegócio com medo de que eles quebrem as regras”, disse.

“Aécio e Eduardo se apresentaram como aliados, mas já deu para ver que não vai ser assim”, observou, com a sensibilidade de cineasta, o produtor Luiz Carlos Barreto. Para ele, Aécio se mostrou mais informal. “Ele usa uma linguagem mais do cotidiano, e Eduardo foi um pouco mais tecnocrata”, afirmou. Barretão, produtor do filme ‘Lula, o filho do Brasil’, tem uma certeza para tranquilizar um pouco os dois candidatos, que comemoram a queda de Dilma nas pesquisas. Segundo ele, o movimento “Volta, Lula” é natimorto. “Ele me garantiu que não existe possibilidade de ele ser candidato. É Dilma mesmo”, afirmou o produtor. De Lula, ele entende.

No mais, quem arrebatou mesmo o Forum foi Viviane Senna. Ela homenageou o irmão herói, morto há 20 anos, falou do trabalho de educação do Instituto Ayrton Senna e defendeu uma ideia tão simples como revolucionária: que todos os políticos sejam obrigados a matricular seus filhos em uma escola pública. Foi, merecidamente, aplaudida de pé.

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